Mensagens apreendidas pela PF associam Vorcaro à PixBet e citam participação no Atlético-MG
Conversas encontradas pela Polícia Federal durante as investigações envolvendo o Banco Master levantaram suspeitas sobre os negócios mantidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro no setor de apostas e no futebol. Em um dos diálogos, um ex-escrivão da PF afirma que o empresário seria dono da PixBet e teria participação de 25% na SAF do Atlético-MG.
As mensagens foram trocadas em outubro de 2024 entre Marilson Roseno da Silva, ex-escrivão investigado por suposta ligação com um grupo que atuaria em favor de Vorcaro, e um contato identificado no celular como “Pk Caiava”.
Em um áudio enviado no dia 3 de outubro daquele ano, Marilson menciona uma pessoa que chama de “chefe lá de São Paulo” e afirma que ela seria proprietária da PixBet. Na mesma conversa, ele relaciona esse homem a uma participação no Atlético-MG.
Quando questionado sobre a identidade do suposto proprietário, Marilson cita diretamente Daniel Vorcaro. Segundo a investigação, os diálogos foram incluídos no conjunto de informações analisadas pela PF no âmbito dos inquéritos que apuram as irregularidades relacionadas ao Banco Master.
Apesar do conteúdo das mensagens, a afirmação sobre a PixBet não representa, isoladamente, uma comprovação oficial de que Vorcaro seja o proprietário formal da empresa. Informações sobre a estrutura societária também indicam diferenças em relação aos 25% mencionados no diálogo.
A investigação também encontrou outras mensagens relacionadas ao Atlético-MG. De acordo com os registros analisados pela PF, Vorcaro teria se movimentado para conseguir ingressos VIP para os filhos do ministro Alexandre de Moraes acompanharem uma partida do clube contra o Grêmio, disputada na Arena MRV em maio de 2024.
O episódio passou a ser considerado pelos investigadores dentro do contexto das relações mantidas por Vorcaro com integrantes de diferentes setores. O banqueiro também é alvo das apurações sobre possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master.
Vorcaro chegou a investir no futebol do Atlético-MG, mas foi posteriormente afastado das atividades relacionadas à SAF após o avanço das investigações envolvendo o Banco Master. Segundo informações divulgadas sobre a estrutura societária, sua participação também sofreu alterações posteriores.
As mensagens, portanto, acrescentam novos elementos às investigações, mas as alegações feitas pelos interlocutores ainda precisam ser confrontadas com documentos societários e demais provas reunidas pela Polícia Federal.

