Ex-funcionária de clínica é presa no Pará suspeita de desviar R$ 160 mil de pacientes no Piauí
Uma ex-funcionária de uma clínica odontológica de Campo Maior, no interior do Piauí, foi presa nesta quinta-feira (20), em Belém (PA), suspeita de participar de um esquema que teria causado um prejuízo estimado em R$ 160 mil. Segundo as investigações, 34 pacientes teriam sido prejudicados.
Identificada como Denise Sales, a mulher teria se aproveitado da confiança conquistada durante os anos em que trabalhou na clínica para receber diretamente pagamentos referentes a tratamentos odontológicos. Parte dos valores, ou até mesmo a quantia integral, não teria sido repassada ao estabelecimento.
A investigação aponta que Denise oferecia aos pacientes condições de pagamento que não eram registradas oficialmente pela clínica. Entre as estratégias estaria a concessão de descontos para pagamentos em dinheiro e a alegação de que o estabelecimento enfrentava dificuldades com a conta bancária, levando algumas pessoas a realizar transferências diretamente para ela.
Os valores recebidos não eram registrados como quitados no sistema da clínica. Para dificultar a descoberta do suposto esquema, a investigação aponta que pagamentos feitos por novos pacientes teriam sido utilizados para cobrir débitos anteriores de outras pessoas, criando uma movimentação semelhante a um sistema de pagamentos em cadeia.
O caso começou a ser descoberto depois que uma paciente desconfiou da abordagem e procurou diretamente a clínica para confirmar as informações. A administração verificou os registros financeiros e identificou divergências entre os valores informados pelos pacientes e aqueles registrados no sistema.
Durante aproximadamente três meses de investigação, policiais analisaram documentos, comprovantes de transferências e registros financeiros, além de ouvirem pessoas que afirmaram ter efetuado pagamentos diretamente à ex-funcionária.
Até o momento, 34 pacientes são considerados possíveis vítimas e 20 boletins de ocorrência foram registrados. Entre os relatos estão casos envolvendo idosos que teriam sido orientados a realizar pagamentos em dinheiro ou por transferência bancária.
Após as primeiras inconsistências serem identificadas, Denise teria sido questionada pelos proprietários da clínica. Ela não teria comparecido a uma reunião marcada para esclarecer os pagamentos e deixou Campo Maior, retornando para Belém, sua cidade natal.
As investigações indicam ainda que a ex-funcionária teria admitido as irregularidades e demonstrado arrependimento, mas deixou o Piauí antes de prestar novos esclarecimentos.
A Polícia Civil do Piauí localizou Denise na capital paraense e cumpriu a ordem judicial nesta quinta-feira. Os investigadores continuam apurando a extensão do caso, o número total de pessoas prejudicadas e o destino dos valores supostamente desviados.
A mulher é investigada por crimes de estelionato e falsidade ideológica. A responsabilidade criminal será definida pela Justiça após o andamento do processo.

