Representante da Coreia do Norte chama atenção na ONU ao usar broche com rostos de antigos líderes
O vice-ministro das Relações Exteriores da Coreia do Norte, Kim Son-Gyong, chamou atenção durante seu discurso na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova York, nesta segunda-feira (28). Ele apareceu usando um broche com os rostos de Kim Jong Il, pai do atual líder norte-coreano, Kim Jong-un, e de Kim Il Sung, avô do atual governante.
Os dois antigos líderes ocupam uma posição central na simbologia oficial da Coreia do Norte e são tratados pelo regime como figuras históricas permanentes. Broches com seus retratos fazem parte da vestimenta utilizada por autoridades norte-coreanas em ocasiões oficiais.
A presença de Kim Son-Gyong ocorreu durante o debate geral da 81ª sessão da Assembleia Geral, realizado em Nova York.
Defesa do programa nuclear
Durante o discurso, o representante norte-coreano reafirmou a posição de Pyongyang de manter seu arsenal nuclear. Segundo Kim, o status da Coreia do Norte como Estado com armas nucleares é permanente e estaria relacionado à proteção da soberania e da segurança do país.
Ele também afirmou que a capacidade militar norte-coreana funciona como instrumento de dissuasão e contribui, na visão de Pyongyang, para evitar um novo conflito armado na Península Coreana.
Essa posição é consistente com declarações anteriores do governo norte-coreano nas Nações Unidas, que rejeita a exigência de desnuclearização e apresenta seu programa nuclear como parte da estratégia de defesa do país.
Críticas aos Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul
Kim Son-Gyong também criticou a cooperação militar entre Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul. Segundo ele, exercícios conjuntos realizados pelos três países aumentariam as tensões na Península Coreana.
O vice-ministro citou treinamentos militares como o Freedom Shield e o Freedom Edge e afirmou que os exercícios seriam planejados para responder a possíveis conflitos envolvendo a Coreia do Norte.
Na avaliação apresentada pelo governo norte-coreano, a aproximação militar entre Washington, Tóquio e Seul estaria formando uma estrutura de segurança cada vez mais voltada à contenção de Pyongyang. Declarações semelhantes já foram apresentadas por representantes norte-coreanos em fóruns da ONU.
Japão também é alvo de críticas
Durante a fala, o representante norte-coreano ainda criticou o aumento dos gastos militares do Japão e o desenvolvimento de capacidades de longo alcance pelo país.
Kim afirmou que Tóquio estaria aproveitando o atual cenário internacional para ampliar sua estrutura de defesa e avançar no processo de rearmamento.
Apesar das críticas, o vice-ministro sustentou que a ausência de um novo conflito armado na Península Coreana estaria relacionada ao equilíbrio militar existente na região. Segundo a posição apresentada por Pyongyang, sua capacidade de dissuasão seria um dos fatores responsáveis por impedir uma guerra.
As declarações fazem parte da posição oficial do governo norte-coreano sobre segurança regional e seu programa nuclear. A ONU, por sua vez, mantém o desarmamento nuclear como uma de suas prioridades, com uma reunião de alto nível sobre o tema prevista para 29 de setembro.

