Piauí entra no radar global das terras raras e atrai interesse de mineradoras
O Piauí começa a ganhar destaque no cenário nacional e internacional como uma possível nova fronteira para a pesquisa de terras raras, minerais estratégicos usados em tecnologias como carros elétricos, smartphones, turbinas eólicas, satélites e armamentos de precisão.
Atualmente, o estado soma 26 processos de pesquisa mineral em andamento, distribuídos em uma área superior a 48 mil hectares, segundo dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) e do Observatório da Mineração do Piauí. Os pedidos envolvem empresas brasileiras e estrangeiras interessadas em estudar o subsolo piauiense.
O foco dessas solicitações está concentrado em 14 municípios, que começam a surgir como potenciais áreas de interesse:
Aroazes, Buriti dos Montes, Conceição do Canindé, Corrente, Ipiranga do Piauí, Itainópolis, Oeiras, Santa Cruz dos Milagres, Simplício Mendes e Sussuapara, entre outros pontos ainda em avaliação técnica.
Apesar do aumento da movimentação, quase todos os processos seguem em fase inicial, de requerimento e autorização para pesquisa. Ou seja, não há minas em operação nem extração em curso — o momento é de mapeamento e prospecção.
Corrida global por minerais estratégicos
O avanço desses pedidos, principalmente a partir de 2023, acompanha a corrida mundial por minerais considerados essenciais para a transição energética e para a indústria de alta tecnologia.
As chamadas terras raras são fundamentais para motores elétricos, baterias, eletrônicos, antenas de telecomunicação e equipamentos médicos. Embora existam em vários lugares do planeta, é raro encontrar depósitos com concentração suficiente para viabilizar exploração econômica.
Parte do interesse no Piauí se intensificou após estudos do Serviço Geológico do Brasil (SGB), em parceria com o governo estadual, especialmente na região da Bacia do Parnaíba, onde foram identificadas rochas fosfáticas com presença de elementos associados às terras raras, além de urânio e outros minerais valiosos.
Governo pede cautela e planejamento
O superintendente de Mineração e Energias Renováveis da Seplan, Bruno Casanova, afirma que o estado ainda está em fase de conhecimento e levantamento geológico, e não diante de um boom imediato de mineração.
A proposta do governo é estruturar dados, estabelecer regras claras e evitar especulação, garantindo que qualquer avanço futuro ocorra com responsabilidade ambiental e retorno real para os municípios envolvidos.
Caso algum projeto evolua para a fase de lavra, as cidades produtoras poderão receber royalties da mineração (CFEM), que podem ser aplicados em infraestrutura, saúde, educação, meio ambiente e inovação.

