Peritos do INSS são afastados e o Atestmed volta ao centro das discussões.
A suspensão temporária do acesso de 167 peritos médicos federais ao sistema Atestmed reacendeu as discussões sobre a análise dos pedidos de benefícios por incapacidade no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A medida foi adotada pelo Ministério da Previdência Social após a identificação de indícios de negativas irregulares em processos analisados por esses profissionais.
O Atestmed é a plataforma utilizada pelo INSS para conceder, em determinados casos, o benefício por incapacidade temporária com base exclusivamente na documentação médica apresentada pelo segurado, dispensando a realização de perícia presencial. O sistema foi criado para agilizar a análise dos pedidos e contribuir para a redução da fila de espera.
Segundo o Ministério da Previdência, auditorias identificaram que alguns peritos apresentavam índices de indeferimento muito acima da média nacional e utilizavam justificativas padronizadas em análises realizadas em poucos minutos. Os pedidos analisados pelos profissionais com acesso suspenso estão sendo revisados por outros médicos peritos.
A qualidade da documentação médica continua sendo um dos principais critérios para a concessão do benefício. Atestados, exames e relatórios são avaliados conforme as normas estabelecidas pelo INSS, e cada solicitação passa por análise individual antes da decisão sobre o deferimento ou indeferimento do benefício.
A Associação Nacional dos Peritos Médicos Federais (ANMP) contestou a medida e questiona a restrição na Justiça, enquanto o Ministério da Previdência afirma que a suspensão é temporária, de caráter administrativo e faz parte dos mecanismos de controle de qualidade das análises realizadas pelo sistema.

