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MP-PI pede condenação de empresária acusada de aplicar golpes com falso programa habitacional

O Ministério Público do Piauí (MP-PI) pediu à Justiça a condenação de Cíntia Yanessa Santos Sampaio, acusada de participar de um esquema que teria enganado dezenas de pessoas com a promessa de facilitar a aquisição de imóveis por meio de um suposto programa habitacional vinculado à Caixa Econômica Federal.

A ação penal tramita na 2ª Vara Criminal de Teresina. De acordo com o Ministério Público, Cíntia responde por 45 acusações de estelionato, além do crime de associação criminosa.

Segundo os memoriais apresentados pelo MP, a acusada teria utilizado a imagem de uma funcionária da Caixa para transmitir credibilidade às vítimas. Relatos anexados ao processo afirmam que ela teria sido vista usando uma roupa semelhante à farda da instituição e um crachá, sendo apresentada como alguém que teria condições de facilitar a aprovação de financiamentos habitacionais.

Uma fotografia de Cíntia usando a suposta farda também teria circulado em grupos de WhatsApp criados para reunir pessoas interessadas na aquisição dos imóveis.

Vítimas teriam pago valores e entregue documentos

Conforme os depoimentos reunidos durante o processo, as vítimas eram atraídas pela promessa de conseguir uma casa com condições facilitadas de financiamento. Algumas teriam fornecido documentos pessoais e realizado pagamentos sob a justificativa de que os valores seriam utilizados para viabilizar a obtenção dos imóveis.

O nome de Cíntia aparece em diferentes relatos como uma das pessoas responsáveis pela suposta intermediação junto à Caixa. Há depoimentos em que ela teria sido apresentada como uma espécie de responsável pelo grupo ou como alguém encarregada de realizar cadastros para obtenção de subsídios.

Uma das vítimas relatou que teria recebido a informação de que Cíntia poderia facilitar o financiamento. Outra afirmou que a acusada era apontada como a “chefe” do grupo. Também há relato de que valores teriam sido enviados para uma conta bancária indicada por Cíntia.

As negociações, segundo os depoimentos, eram acompanhadas por meio de grupos de WhatsApp, dos quais a acusada também participaria.

Suposta entrega de chaves não ocorreu

Entre os episódios citados pelo Ministério Público está uma suposta cerimônia de entrega de chaves que teria sido marcada para acontecer no Teatro do Boi, em Teresina.

As pessoas que aguardavam pelos imóveis compareceram ao local na data informada, mas, segundo os relatos, não havia qualquer evento relacionado à entrega das casas. Um funcionário teria informado aos presentes que nenhuma solenidade desse tipo estava programada.

O episódio teria aumentado a desconfiança das vítimas, que passaram a questionar a existência do suposto programa habitacional. Mesmo após a situação, conforme um dos depoimentos, Cíntia teria enviado mensagens aos participantes dos grupos para tentar tranquilizá-los.

Há ainda relatos de vítimas que afirmam ter enfrentado dificuldades para localizar a acusada depois dos pagamentos. Em um dos casos, uma mulher teria tentado marcar um encontro com Cíntia por intermédio da própria mãe, mas a acusada teria apresentado justificativas para não comparecer.

MP pede indenização às vítimas

Na manifestação apresentada à Justiça, o Ministério Público defendeu que os 45 casos sejam considerados crimes de estelionato praticados de maneira independente. Por isso, pediu a aplicação do chamado concurso material, em vez do reconhecimento de continuidade delitiva.

O MP-PI também solicitou a absolvição das acusadas quanto à acusação de lavagem de dinheiro. Segundo o órgão, embora existam elementos indicando o recebimento de valores relacionados aos supostos golpes, não teriam sido comprovadas condutas específicas de ocultação ou dissimulação capazes de configurar o crime.

Além das condenações, o Ministério Público pediu que seja estabelecido um valor mínimo de R$ 3 mil para reparação de cada vítima mencionada na denúncia, considerando eventuais valores que já tenham sido devolvidos.

As alegações finais foram apresentadas em março de 2026. O processo ainda está em tramitação e não há sentença definitiva sobre a responsabilidade criminal de Cíntia Yanessa.

Outro lado

Cíntia Yanessa foi procurada para apresentar sua versão sobre as acusações, mas não foi localizada. O espaço permanece aberto para manifestação da defesa.

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