PF rejeita delação de Vorcaro e investigação amplia apuração sobre ligações políticas e no Judiciário
A Polícia Federal rejeitou a proposta de delação premiada apresentada pelo empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, por considerar que o material entregue não trouxe informações inéditas relevantes para o avanço das investigações da Operação Compliance Zero. A avaliação interna é de que o acordo apresentado foi considerado “fraco” e com omissões sobre fatos já descobertos pelos investigadores.
Segundo informações divulgadas por veículos nacionais, investigadores da PF e integrantes da Procuradoria-Geral da República entendem que as provas reunidas ao longo das fases da operação já seriam suficientes para sustentar denúncias por crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa, corrupção e fraudes financeiras.
A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema envolvendo o Banco Master e possíveis irregularidades financeiras, além de suspeitas de intimidação, vazamento de informações sigilosas e invasões de dispositivos eletrônicos. A investigação ganhou novas fases nos últimos meses e ampliou o cerco sobre aliados e familiares de Vorcaro.
Na semana passada, a sexta fase da operação resultou na prisão de Henrique Vorcaro, pai do empresário, além de mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. A PF também investiga possíveis ligações entre integrantes do grupo e agentes públicos suspeitos de facilitar o acesso a informações sigilosas.
De acordo com fontes ligadas à investigação, a principal resistência da PF em aceitar a delação estaria na ausência de elementos novos capazes de comprometer outros envolvidos ou ampliar significativamente o alcance das apurações. Investigadores avaliam que Vorcaro teria tentado preservar nomes de influência política e econômica.
Mesmo sem acordo homologado, a Polícia Federal segue avançando nas investigações e não descarta novas fases da operação. O diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, afirmou recentemente que as ações da PF não têm como objetivo pressionar o empresário, mas fazem parte do andamento normal das investigações.

