Mais de 500 pessoas denunciam DF Group por suposto golpe financeiro; prejuízo pode atingir 2 mil investidores
Mais de 500 pessoas já registraram boletins de ocorrência contra a empresa DF Group, investigada por suspeita de aplicar golpes financeiros no Piauí. A informação foi divulgada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-PI), que aponta um crescimento constante no número de denúncias desde o início da operação policial.
Segundo o superintendente de Operações Integradas, delegado Matheus Zanatta, a expectativa é de que novas vítimas procurem as autoridades nos próximos dias, à medida que tomem conhecimento das investigações. De acordo com a polícia, o esquema atuava em diferentes estados, mas o Piauí concentra uma das maiores quantidades de investidores prejudicados.
As investigações indicam que cerca de 2 mil pessoas podem ter sido lesadas, embora esse número ainda esteja sendo atualizado. O grupo é suspeito de movimentar aproximadamente R$ 100 milhões por meio de um suposto esquema fraudulento.
O principal investigado é Douglas Fonseca Araújo, proprietário e CEO da DF Group. Conforme a Polícia Civil, ele se apresentava como trader com mais de 14 anos de experiência no mercado financeiro e prometia aos investidores rentabilidade de até 10% ao mês, percentual considerado incompatível com operações financeiras convencionais e apontado pelos investigadores como um dos principais atrativos para captar novos clientes.

Para a polícia, há fortes indícios de que o modelo adotado pela empresa funcionava como uma pirâmide financeira, na qual os rendimentos pagos aos investidores mais antigos dependiam da entrada constante de novos participantes. As investigações também apontam que a empresa não possuía autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para realizar a captação pública de investimentos.
Prisões foram mantidas pela Justiça
Douglas Fonseca Araújo e outros dez investigados tiveram a prisão temporária mantida pela Justiça durante audiência de custódia realizada no último sábado (11). Eles são investigados pelos crimes de estelionato qualificado por fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Após a audiência, Douglas e outros seis homens foram encaminhados para a Cadeia Pública de Altos. As quatro mulheres presas na operação foram levadas para a Penitenciária Feminina de Teresina.
Os investigados são:
- Douglas Fonseca Araújo;
- Ícaro Teixeira de Sousa;
- Milena Alves Torres;
- Viviane Alves da Silva;
- Eduardo Lima de Sousa;
- Jaquenilson Alvino de Sousa Abreu;
- Janda Maira de Sousa Silva;
- Caio Guilherme Campelo;
- Caio Fonseca Araújo;
- Vitória Gabriel Conceição Fonseca.
Operação apreendeu carros de luxo, armas e joias
A operação foi realizada pela Superintendência de Operações Integradas (SOI), que cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da empresa, localizada na zona Leste de Teresina.
Durante a ação, foram apreendidos 11 veículos, incluindo carros de luxo, além de armas de fogo, relógios, joias, documentos e equipamentos que passarão por perícia. O escritório da empresa também foi interditado.
Segundo a investigação, Douglas utilizava as redes sociais para ostentar uma rotina de alto padrão, exibindo veículos e bens de luxo como forma de transmitir credibilidade e atrair novos investidores.

Vítimas relatam dificuldade para sacar investimentos
As apurações tiveram início após diversos clientes denunciarem dificuldades para resgatar os valores aplicados. Conforme os relatos, a empresa deixou de efetuar os pagamentos prometidos e passou a restringir o contato com os investidores.
Com a divulgação da operação, novas vítimas passaram a procurar a Polícia Civil para formalizar denúncias. A SSP-PI orienta que pessoas que tenham investido na DF Group e se considerem prejudicadas registrem boletim de ocorrência pelo canal BO Fácil, em qualquer delegacia da Polícia Civil ou na Superintendência de Defesa e Proteção do Consumidor (Sudecon).

