Infestação de caramujo africano preocupa moradores de povoado na zona rural de Teresina
Moradores do povoado Campestre, na zona rural de Teresina, estão preocupados com o aumento da infestação do caramujo-gigante-africano na região. A população teme riscos à saúde devido à possibilidade de transmissão de doenças associadas à espécie invasora.
Segundo relatos dos moradores, o número de moluscos aumentou de forma significativa nos últimos meses, sendo possível encontrar os animais em ruas, paredes, calçadas, terrenos e até dentro das residências.
O morador Murillo Garcia afirmou que a situação começou a se agravar entre o fim de fevereiro e o início de março deste ano. De acordo com ele, a presença dos caramujos se tornou constante em praticamente toda a comunidade.
“Eles estão em todo lugar. As crianças acabam brincando e entrando em contato com os caramujos sem saber dos riscos”, relatou.
Ainda segundo os moradores, diversas pessoas da comunidade apresentaram sintomas semelhantes aos da dengue nas últimas semanas, aumentando a preocupação da população sobre possíveis impactos da infestação na saúde pública.
Murillo contou que a esposa chegou a ser internada com suspeita de dengue hemorrágica após apresentar febre, dores no corpo, redução de plaquetas e fortes dores abdominais.
Especialistas alertam que o caramujo-gigante-africano pode representar riscos sanitários. A pesquisadora Silvana Thiengo, do Instituto Oswaldo Cruz, explicou que a espécie pode estar associada à transmissão de zoonoses.
Entre as doenças relacionadas está a meningite eosinofílica, causada pelo verme Angiostrongylus cantonensis, além da angiostrongilíase abdominal, que em casos graves pode provocar complicações intestinais.
Segundo a pesquisadora, embora existam registros dessas doenças no Brasil, nem todos os casos estão diretamente ligados ao caramujo africano.
A recomendação das autoridades de saúde é evitar contato direto com os animais. A remoção deve ser feita utilizando luvas ou outros equipamentos de proteção, evitando tocar os moluscos com as mãos desprotegidas.
O caramujo-gigante-africano é uma espécie originária da África e foi introduzido no Brasil na década de 1980. Desde então, se espalhou por diferentes regiões do país, sendo considerado uma espécie invasora com potencial de causar impactos ambientais e riscos à saúde humana.
Até o momento, moradores afirmam aguardar ações do poder público para controle da infestação no povoado Campestre.

