Hang critica fim da escala 6×1 e prevê aumento de custos para empresas
O empresário Luciano Hang, proprietário da Havan, voltou a criticar a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. Durante a inauguração da 196ª unidade da rede, em Caldas Novas (GO), ele classificou a medida como “eleitoreira” e defendeu que o trabalhador tenha liberdade para decidir quanto deseja trabalhar.
Segundo Hang, a adoção de uma jornada no modelo 5×2, com dois dias de descanso por semana, poderá elevar em aproximadamente 15% os custos da Havan com mão de obra. A empresa se aproxima da marca de 25 mil funcionários e pretende chegar a 200 lojas no Brasil ainda este ano.
O empresário afirmou que o aumento das despesas poderia ser repassado aos preços dos produtos. Na avaliação dele, isso reduziria o poder de compra dos consumidores e poderia levar parte dos trabalhadores a buscar uma segunda atividade para complementar a renda.
A discussão sobre o fim da escala 6×1, no entanto, envolve consequências que vão além do impacto financeiro para as empresas. Entre os possíveis efeitos positivos estão mais tempo de descanso, melhoria na qualidade de vida, maior convivência familiar e redução do desgaste provocado por jornadas prolongadas e pela rotina de trabalho durante seis dias consecutivos.
Defensores da mudança também argumentam que uma jornada com dois dias consecutivos de folga pode contribuir para a saúde e o bem-estar dos trabalhadores, além de favorecer o equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Há ainda a expectativa de que a redução da jornada possa estimular novas contratações em setores que precisem manter o funcionamento durante mais dias da semana.
Por outro lado, empresas de setores que dependem de funcionamento contínuo podem enfrentar aumento da folha salarial, necessidade de novas contratações, reorganização das escalas e elevação dos custos operacionais. Em atividades com margens de lucro menores, parte desses gastos poderia ser repassada aos consumidores por meio dos preços.
Outro possível impacto seria a necessidade de adaptação de setores como comércio, serviços, restaurantes, supermercados e indústria, que precisariam reorganizar equipes para garantir o funcionamento sem ultrapassar os limites de jornada estabelecidos pela legislação.
A declaração de Hang provocou reação do Ministério Público do Trabalho, que instaurou uma Notícia de Fato para apurar o episódio.
Não é a primeira vez que o empresário se posiciona contra o fim da escala 6×1. Em manifestações anteriores, Hang afirmou que a mudança representaria um retrocesso e defendeu que os trabalhadores tenham a possibilidade de ampliar seus rendimentos por meio da jornada de trabalho.
A proposta em discussão no Senado prevê mudanças nas regras atuais de jornada e descanso. Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), a matéria precisa alcançar 49 votos favoráveis no Senado e ser aprovada em dois turnos.
O debate divide opiniões entre representantes do setor produtivo, trabalhadores e parlamentares. Enquanto críticos alertam para o aumento dos custos e possíveis reflexos sobre preços e empregos, defensores da mudança consideram que a redução da jornada pode representar avanço nas condições de trabalho e na qualidade de vida da população.

