China estuda construir estufa na Lua para proteger robôs de frio extremo
A China apresentou um novo plano para ampliar sua presença na Lua: a construção de uma estufa capaz de proteger equipamentos das condições extremas do satélite. A proposta foi divulgada por uma equipe ligada à Administração Espacial Nacional da China e faz parte das estratégias para viabilizar missões de longa duração.
Segundo a engenheira Wang Qiong, do Centro de Exploração Lunar da CNSA, a estrutura seria construída com tecnologias adaptadas ao solo lunar e teria como principal função proteger rovers e robôs durante a chamada “noite lunar”. Esse período dura cerca de 14 dias terrestres e pode registrar temperaturas inferiores a -200 °C, sendo um dos maiores desafios para a exploração contínua do satélite.
A proposta prevê que a estufa funcione como um ambiente controlado, aumentando a resistência dos equipamentos e permitindo maior permanência de missões na superfície lunar. A iniciativa pode representar um avanço importante para operações automatizadas e, futuramente, tripuladas.
A engenheira também destacou avanços recentes do programa espacial chinês, como a missão Chang’e-6, que trouxe à Terra, em junho de 2024, cerca de 1,9 quilo de amostras do lado oculto da Lua — feito inédito até então. As análises desse material contribuíram para novas descobertas sobre a formação e evolução dessa região do satélite. A missão contou ainda com cooperação internacional, incluindo equipamentos científicos de países europeus.
Até o momento, a China realizou apenas missões não tripuladas à Lua, mas tem avançado rapidamente em seu programa espacial. O país trabalha para realizar um pouso tripulado até 2030 e já testa tecnologias essenciais para essa meta, incluindo módulos lunares em ambientes simulados na Terra.
Os testes mais recentes ocorreram na província de Hebei, onde foram avaliados sistemas de pouso e decolagem em uma área projetada para reproduzir as condições da superfície lunar, com crateras, rochas e materiais que imitam a refletividade do solo do satélite.

