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Brasil deverá continuar dependente da importação de combustíveis até 2036, aponta projeção

O Brasil deverá continuar dependendo da importação de combustíveis e derivados de petróleo pelo menos até 2036, mesmo com a previsão de expansão da capacidade nacional de refino. A estimativa indica que a produção brasileira não será suficiente para atender integralmente à demanda interna ao longo da próxima década.

As projeções do Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 apontam que o país deverá importar, em termos líquidos, cerca de 37 milhões de litros de derivados de petróleo por dia em 2036. O volume corresponde a aproximadamente 8% do consumo nacional. Em 2026, a estimativa é de 50 milhões de litros diários.

A expectativa é que a capacidade brasileira de refino cresça aproximadamente 10% no período, chegando a cerca de 5 milhões de barris por dia. Apesar da ampliação, o avanço não será suficiente para eliminar a necessidade de compras no mercado internacional.

Diesel terá maior dependência externa

Um dos principais desafios será o abastecimento de diesel. A previsão é que as importações líquidas cheguem a 51 milhões de litros por dia em 2036, o equivalente a aproximadamente 25% do consumo brasileiro.

O volume representa um aumento de 39% em comparação com a estimativa de 2026, de 37 milhões de litros diários. Também supera em 27% o recorde de importações registrado em 2025, quando foram contabilizados 40 milhões de litros por dia.

Mesmo com a previsão de crescimento de 13% na produção nacional de diesel, a oferta continuará abaixo da demanda. Entre os investimentos previstos para ampliar a capacidade produtiva estão projetos da Petrobras na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e no Complexo de Energias Boaventura, no Rio de Janeiro.

Produção de nafta também não atenderá ao mercado interno

Outro derivado que deverá manter o Brasil dependente do mercado externo é a nafta, matéria-prima utilizada na fabricação de plásticos, resinas e outros produtos químicos.

A produção nacional deverá crescer 68,5% até 2036, alcançando 27,3 milhões de litros por dia. Entretanto, o consumo interno estimado será de aproximadamente 38 milhões de litros diários, deixando uma diferença de cerca de 10 milhões de litros que precisará ser suprida por importações.

Brasil poderá atingir autossuficiência em gasolina

Em contrapartida, o cenário para a gasolina é mais favorável. A expectativa é que o Brasil consiga produzir volume suficiente para atender ao mercado interno antes do fim da próxima década.

A redução da necessidade de importações está relacionada à mudança no consumo de combustíveis. Entre os fatores considerados estão o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, de 32% para 35%, a maior disponibilidade de etanol hidratado e a expansão dos veículos eletrificados.

A previsão é que as importações líquidas de gasolina atinjam 8,5 milhões de litros por dia em 2027, pouco mais de 9% da demanda nacional. Depois desse período, a necessidade de compras externas deverá diminuir gradualmente.

A produção brasileira de gasolina deverá permanecer relativamente estável, entre 80 milhões e 83 milhões de litros por dia durante o período analisado. Com a redução do consumo do combustível derivado de petróleo, a oferta nacional poderá se tornar suficiente para abastecer o mercado interno.

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