Alunos da UFPI cobram retorno de ponto de recarga do cartão de ônibus dentro do campus
Estudantes da Universidade Federal do Piauí (UFPI), localizada no bairro Ininga, na zona Leste de Teresina, reclamam da ausência de um ponto de recarga do Cartão Mais Fácil Estudantil dentro do campus. Segundo os alunos, a falta do serviço obriga quem utiliza o transporte coletivo diariamente a se deslocar para outros locais da cidade para recarregar ou regularizar o cartão, utilizado para garantir o benefício da meia passagem.
A situação é apontada pelos estudantes como mais uma dificuldade na rotina de quem depende dos ônibus para frequentar a universidade. A ausência de um ponto de atendimento também pode gerar deslocamentos adicionais e comprometer o tempo dos alunos.
A estudante Maria Eduarda Oliveira Holanda, do sexto período de Serviço Social e moradora do bairro Promorar, na zona Sul de Teresina, está entre as pessoas que enfrentam o problema. Para chegar à UFPI, ela precisa utilizar diferentes combinações de linhas de ônibus.

Uma das alternativas é seguir até o bairro Saci para embarcar no ônibus Miguel Rosa e, posteriormente, realizar a integração com a linha Universidade 401. Outra possibilidade é utilizar a linha Poti Velho–Bela Vista, descer na Avenida Maranhão e fazer a integração com o ônibus 401 até a universidade.
Além dos deslocamentos necessários para chegar às aulas, a estudante afirma que precisa deixar a região da UFPI quando necessita recarregar ou atualizar o cartão.
“Na UFPI não tem ponto de recarga. O mais próximo é ali na Avenida Nossa Senhora de Fátima, perto da Uninassau”, relatou.
Embora exista a possibilidade de realizar recargas pela internet, a estudante afirma que o serviço pode representar um custo adicional para os usuários devido à cobrança de taxas.
“Outra coisa que é absurda é que eles também cobram pelo Pix. Eles colocam taxa no Pix. Para mim, isso já é demais. O Pix é tipo dinheiro em espécie. Eles vão receber de qualquer jeito, mas aí taxam Pix”, reclamou.
Para Maria Eduarda, a instalação de um ponto de atendimento dentro da universidade facilitaria principalmente a vida de estudantes que dependem diariamente do transporte público.
“Eu estava até falando com minhas amigas e com um amigo do DCE que seria bom ter um posto de recarga aqui. Se o passe acabar na UFPI, pronto. Não tem como recarregar o cartão por lá não”, afirmou.
Atualização do cartão também exige deslocamento
Os estudantes também relatam dificuldades para atualizar o cadastro do cartão. Segundo Maria Eduarda, o procedimento precisa ser realizado presencialmente na sede do Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (SETUT), localizada no Centro da capital, mediante agendamento.
Ela afirma que a disponibilidade limitada de horários pode interferir na rotina acadêmica. Em uma ocasião, o cartão estava bloqueado e ela tinha poucos créditos disponíveis. Ao tentar agendar o atendimento, encontrou apenas uma data alguns dias depois.
“O meu cartão estava bloqueado e eu não conseguia colocar passe. Isso era numa segunda-feira e acho que eu só tinha quatro passes. Aí fui marcar um dia para atualizar e só tinha horário disponível na quinta-feira. Eu tive que escolher um dia para faltar aulas para poder economizar meu passe até chegar o dia da atualização”, contou.
Sindicato afirma que discute retomada do atendimento
O Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina informou que a implantação de pontos de recarga é definida levando em consideração critérios de viabilidade e o fluxo de demanda em cada local.
Segundo o sindicato, nos últimos anos foram realizadas reuniões com representantes da UFPI e do Diretório Central dos Estudantes (DCE) para discutir a possibilidade de retomada do posto de atendimento dentro do campus.
A entidade afirmou que permanece disponível para novas tratativas com a universidade e os estudantes com o objetivo de avaliar a reabertura do serviço.
Sobre as recargas realizadas pela internet, o sindicato informou que vem ampliando os serviços digitais destinados aos usuários do transporte coletivo. A entidade afirma que eventuais taxas cobradas nas operações estão relacionadas aos custos de funcionamento e manutenção das plataformas.
Ainda segundo o sindicato, as empresas do transporte coletivo de Teresina enfrentam déficit operacional apontado em auditoria do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI), o que reduziria a capacidade do setor de absorver integralmente os custos relacionados às plataformas digitais.
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