Acordo entre Mercosul e União Europeia pode ampliar exportações brasileiras em até US$ 7 bilhões
A formalização do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, prevista para os próximos dias, é considerada um marco histórico nas relações econômicas internacionais e pode gerar impactos bilionários para a economia brasileira. As estimativas indicam que, quando plenamente implementado, o pacto poderá elevar as exportações do Brasil em cerca de US$ 7 bilhões.
Embora a assinatura represente um avanço significativo, a entrada em vigor do acordo ainda depende de um processo complexo. Após a formalização, o texto precisará ser analisado e aprovado pelos parlamentos dos países envolvidos, o que pode levar anos. Mesmo assim, o governo brasileiro trabalha com a expectativa de que o Congresso Nacional analise o tema ainda neste primeiro semestre, o que permitiria a vigência do acordo no Brasil independentemente da aprovação imediata dos demais países do Mercosul.
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que há otimismo em relação à tramitação no Legislativo brasileiro. Segundo ele, a União Europeia é atualmente o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China, com uma corrente de comércio que alcançou cerca de US$ 100 bilhões em 2025.
Alckmin também destacou o peso geopolítico do acordo, avaliando que o entendimento entre os blocos fortalece o multilateralismo em um cenário internacional marcado por tensões comerciais, disputas tarifárias e conflitos entre grandes potências econômicas. Para o ministro, o pacto sinaliza uma aposta na abertura comercial e em regras claras, em contraposição a políticas de isolamento econômico.
Apesar da expectativa positiva, especialistas ponderam que a aprovação de acordos internacionais no Congresso brasileiro costuma ser demorada. Avaliações apontam que, mesmo em um cenário favorável, o processo pode levar de dois a três anos. Além disso, os efeitos mais expressivos sobre a balança comercial brasileira tendem a ser percebidos apenas no médio e longo prazo, possivelmente a partir de quatro anos após a entrada em vigor.
Por outro lado, o acordo conta com o apoio de setores influentes da economia, especialmente o agronegócio e a indústria, que enxergam na União Europeia um mercado estratégico para a ampliação das exportações. Esse respaldo do setor produtivo pode contribuir para acelerar a tramitação no Congresso.
Além do simbolismo político, o pacto traz perspectivas concretas de aumento de receitas para empresas brasileiras. Estão previstas reduções imediatas de tarifas para produtos industrializados relevantes da pauta exportadora, como máquinas, equipamentos de transporte, motores, autopeças e aeronaves. Outros segmentos, como couro, produtos químicos, utensílios metálicos e pedras trabalhadas, também devem se beneficiar.
No caso das commodities, o acordo estabelece a eliminação gradual de tarifas sobre itens como carne bovina, carne de aves e etanol, em prazos que podem chegar a até dez anos. Para atender às preocupações europeias, foi incluída uma cláusula de salvaguarda que permite o monitoramento das importações oriundas do Mercosul, com foco na proteção de produtores rurais do bloco europeu.
Com um mercado potencial que reúne mais de 700 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto estimado em cerca de US$ 22 trilhões, o acordo Mercosul–União Europeia é visto como um dos maiores já firmados no mundo e como uma oportunidade estratégica para reposicionar cadeias produtivas, estimular investimentos e ampliar a presença do Brasil no comércio internacional.

