Golpe do falso advogado dispara e se torna o mais comum no Piauí em 2025
O golpe do falso advogado registrou um aumento alarmante no Piauí em 2025. Segundo levantamento do Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon/MPPI) em parceria com a Secretaria de Segurança Pública (SSP-PI), essa fraude virtual cresceu 461% ao longo do ano e passou a liderar o ranking de golpes no estado.
Em janeiro, esse tipo de estelionato ocupava apenas a oitava posição. Agora, em novembro, já aparece no topo da lista, com 73 casos consumados — situações em que as vítimas efetivamente transferiram dinheiro aos criminosos. O avanço ultrapassa até golpes tradicionais, como o que envolve contato falso com familiares.
Como os golpistas atuam
De acordo com o Procon, quadrilhas especializadas utilizam engenharia social e técnicas de manipulação psicológica para enganar pessoas que possuem ações judiciais em andamento. O esquema segue etapas bem definidas:
1. Coleta de informações — Criminosos acessam dados de processos judiciais e obtêm detalhes como nomes, telefones e informações da causa.
2. Falsa identidade — Com esses dados, criam perfis falsos no WhatsApp usando nome e foto do advogado real da vítima. Quando o número é desconhecido, dizem ser “advogado associado” ou auxiliar do escritório.
3. A notícia falsa do alvará — Os golpistas informam que um valor foi liberado pela Justiça, mas exigem pagamento antecipado de taxas ou impostos para liberar o suposto dinheiro.
4. Videochamada enganosa — A estratégia mais recente envolve videochamadas para um suposto “procedimento técnico”. Durante a ligação, convencem a vítima a compartilhar a tela do celular, verificam saldos bancários e orientam transferências na hora.
Operações e prisões
No dia 11 de novembro, a Polícia Civil de Santa Catarina, com apoio das polícias do Mato Grosso do Sul e do Piauí, prendeu um homem na cidade de Geminiano (PI) durante a Operação Alvará Fantasma. Ele é suspeito de integrar uma quadrilha especializada nesse tipo de golpe.
Investigação em andamento
No primeiro semestre, a Delegacia de Crimes de Informática (DRCI) registrou denúncias de mais de 50 advogados e cerca de 80 clientes vítimas da fraude. O delegado Humberto Mácola, responsável pelas investigações, afirma que os golpistas miram ações com valores entre R$ 100 mil e R$ 200 mil. “Eles simulam a liberação de 200 mil reais e pedem cerca de 20 mil para supostas custas. A vítima, acreditando falar com seu advogado, faz o pagamento e cai no golpe”, explicou.
As autoridades reforçam o alerta para que consumidores confirmem qualquer pedido financeiro diretamente com seus advogados e nunca compartilhem tela ou dados sensíveis em videochamadas não solicitadas.

