Venda da Mineração Taboca para estatal chinesa reacende debate sobre minerais estratégicos no Amazonas
A venda da Mineração Taboca, responsável pela exploração da mina de Pitinga, no Amazonas, para a estatal chinesa China Nonferrous Metal Mining Group (CNMC) voltou a gerar discussões sobre o controle de recursos minerais considerados estratégicos para a economia e a indústria de alta tecnologia. A negociação foi fechada por US$ 340 milhões, cerca de R$ 2 bilhões, e transferiu para a empresa chinesa o controle da maior produtora de estanho do Brasil, além de reservas de nióbio, tântalo e terras raras.
Após a repercussão do negócio, surgiram informações de que a operação incluiria uma das maiores reservas de urânio do país. No entanto, a Indústrias Nucleares do Brasil (INB) esclareceu que não houve venda de mina de urânio. Segundo a estatal, o mineral encontrado na região possui baixo teor, permanece nos rejeitos da mineração e, por determinação constitucional, a pesquisa e exploração de minérios nucleares são monopólio da União.

O caso também chegou ao meio político. O senador Plínio Valério (PSDB-AM) questionou a negociação e defendeu uma investigação sobre a legalidade da venda, argumentando que ativos minerais estratégicos deveriam passar por maior controle do Estado e do Congresso Nacional. Em 2025, a Justiça Federal também solicitou esclarecimentos ao governo e às empresas envolvidas sobre aspectos da operação e da exploração mineral na região.
Especialistas apontam que a mina de Pitinga possui relevância estratégica devido à produção de estanho, nióbio, tântalo e terras raras, minerais essenciais para a fabricação de componentes eletrônicos, semicondutores, equipamentos de defesa, veículos elétricos e outras tecnologias avançadas. O avanço da China no controle de ativos ligados a esses minerais tem sido acompanhado por diversos países em meio à disputa global por cadeias de suprimentos consideradas críticas.

