Trump rompe tradição republicana, amplia controle estatal e mira eleições de 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem adotado medidas que rompem com a tradição do Partido Republicano, historicamente defensor do livre comércio e da iniciativa privada. Na última sexta-feira, ele anunciou que o governo assumirá o controle de 10% da Intel, uma das maiores e mais lucrativas empresas de tecnologia do país.
Trump não detalhou os termos do acordo, mas declarou que pretende firmar “negócios como esse todos os dias” e que apoiará companhias que celebrarem acordos lucrativos com os EUA. Analistas apontam que a estratégia reforça o caixa do governo, garantindo fôlego político para o presidente financiar aliados e fortalecer seu projeto de poder.
Disputa eleitoral
Além do movimento econômico, o Partido Republicano prepara um redesenho de distritos no Texas para assegurar seis cadeiras na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. A renovação da Casa acontece no próximo ano, já que todos os mandatos têm duração de dois anos.
Controlar a Câmara, segundo observadores, é considerado essencial para o futuro político do clã Trump.
Estado policial
No campo da segurança, Trump mobilizou a polícia de imigração, a Guarda Nacional e até o Exército, ampliando operações contra imigrantes ilegais. Também assumiu o comando da polícia de Washington, capital federal. A ofensiva, segundo críticos, coloca os democratas na defensiva sob o argumento do “combate ao crime”.
Setor de tecnologia na mira
Além da Intel, Trump anunciou que empresas como Nvidia e AMD repassarão 15% dos lucros de determinadas vendas de chips e equipamentos à China para o Tesouro americano. Pequim, por sua vez, teria orientado empresas locais a suspender compras da Nvidia por razões de segurança.
A medida gerou reação de liberais e conservadores. O biógrafo Walter Isaacson afirmou que o país caminha para um “capitalismo de compadrio”, enquanto o deputado republicano John Moolenaar, de Michigan, alertou que a flexibilização das exportações pode fortalecer a Inteligência Artificial chinesa, colocando em risco a segurança nacional.
Caixa para cortes de impostos
Com os novos recursos, Trump reforça o Tesouro e garante margem para sustentar cortes de impostos que, segundo críticos, beneficiam principalmente bilionários. O presidente também consolidou alianças com gigantes da tecnologia, como Google, Meta e Amazon, prometendo defendê-las em disputas globais.
Poder concentrado
Reconhecido por sua postura centralizadora, Trump ampliou seu domínio sobre o Partido Republicano e terá influência direta na escolha dos candidatos para os 435 distritos eleitorais do país. Caso consiga emplacar seu sucessor ou permanecer no cargo, analistas avaliam que poderá superar Ronald Reagan como figura histórica do partido.
Hoje, Trump já controla praticamente todas as alavancas de poder em Washington, em um movimento considerado por especialistas como a maior concentração de força política na Casa Branca em décadas. O presidente ainda conta com maioria consolidada na Suprema Corte, após ter indicado três dos nove juízes em exercício.

