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Professora denuncia envenenamento por mercúrio durante oito meses; mãe de aluno é investigada em Pernambuco

Uma professora voluntária de artesanato afirma ter sido vítima de um suposto envenenamento por mercúrio ao longo de cerca de oito meses em um projeto social no Recife. O caso é investigado pela Polícia Civil de Pernambuco, que apura a possível participação da mãe de um dos alunos da instituição.

A vítima, a artesã Denny Cardoso, de 43 anos, relata que começou a desconfiar de uma possível contaminação ao perceber alterações na água que levava diariamente para as aulas, incluindo pequenas partículas no líquido. Segundo ela, a suspeita aumentou após notar que a mãe de um aluno mexia em sua garrafa sem autorização.

Para reunir provas, a professora passou a deixar o celular gravando durante algumas aulas. As imagens registradas mostram, segundo a defesa da vítima, a suspeita colocando uma substância na garrafa de água em mais de uma ocasião. Os vídeos, além da garrafa utilizada, foram entregues à Polícia Civil.

Após o primeiro registro da ocorrência, a professora adquiriu outra garrafa semelhante e voltou a gravar o ambiente. Dois dias depois, um novo vídeo teria registrado outra suposta adulteração da água. A polícia foi acionada, e as duas mulheres foram levadas à Central de Flagrantes para prestar depoimento.

De acordo com o boletim de ocorrência, a investigada negou qualquer envolvimento no caso e foi liberada por falta de provas naquele momento. A bolsa da suspeita, a nova garrafa e os vídeos também foram apreendidos para perícia.

Os exames realizados no material apreendido identificaram a presença de mercúrio, e um laudo toxicológico confirmou intoxicação pelo metal no organismo da professora. Um relatório preliminar aponta que a exposição teria ocorrido de forma prolongada, por aproximadamente oito meses.

A defesa da investigada informou que a mulher possui transtornos psicológicos, incluindo esquizofrenia e depressão, comprovados por laudos médicos, e afirma que ela não se recorda dos fatos investigados. Os advogados também sustentam que parte dos problemas de saúde apresentados pela vítima poderia estar relacionada à fibromialgia, condição já diagnosticada anteriormente.

Já a defesa da professora afirma que a intoxicação por mercúrio foi comprovada pelos exames e que a investigação deverá esclarecer se a exposição agravou o quadro clínico da vítima, que atualmente relata dificuldades para caminhar, necessidade de apoio para locomoção e diagnóstico de neuropatia.

A Polícia Civil de Pernambuco informou que o inquérito segue em andamento na Delegacia da Boa Vista e depende da conclusão dos exames periciais solicitados ao Instituto de Criminalística antes de definir os próximos passos da investigação.

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