Prefeitura de Teresina firma contrato de R$ 10 milhões com empresa de coleta de lixo sob suspeita
A Prefeitura de Teresina, comandada pelo prefeito Sílvio Mendes, assinou um contrato emergencial de quase R$ 10 milhões com a empresa Ibero Lusitana, responsável pela coleta de lixo nas zonas Sul e Sudeste da capital. O problema é que a documentação apresentada pela empresa levanta sérias dúvidas sobre sua real capacidade de executar o serviço.
O atestado técnico usado como base para a contratação aponta que a Ibero Lusitana teria realizado coleta em Floriano/PI, chegando a uma média de 4.700 toneladas de lixo por mês. Porém, ao comparar os números com a população do município, o cálculo revela um dado no mínimo improvável: cada morador teria produzido mais que o dobro da média nacional diária de resíduos, algo considerado incompatível com a realidade.
Outro ponto contestado é a suposta execução de Coleta de Pontos de Recebimento de Resíduos (PRR’s), serviço que, segundo registros oficiais, nunca foi contratado pela Prefeitura de Floriano. Além disso, a frota declarada pela empresa também chama atenção: apenas cinco caminhões, três motocicletas e um carro de passeio (Gol) seriam responsáveis por cobrir duas das maiores regiões da capital piauiense.
A polêmica aumenta quando se lembra que a ETURB, responsável pela licitação, desclassificou recentemente a empresa Recicle por inconsistências semelhantes em seu atestado — com base em apontamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE/PI). O que antes foi considerado motivo de exclusão agora foi aceito sem questionamentos, beneficiando a Ibero Lusitana.
Diante das contradições e da fragilidade dos documentos apresentados, fica o questionamento: como um contrato milionário desse porte foi validado sem uma análise mais criteriosa? A população de Teresina, que custeará quase R$ 10 milhões por esse serviço, aguarda explicações da gestão municipal.

