Planalto teria articulado com Flávio Dino reintegração de chefe da PF antes de decisão de Fachin
Integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva teriam procurado o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), antes de uma decisão do presidente da Corte, Edson Fachin, em meio à disputa judicial envolvendo o comando da Polícia Federal.
A informação foi divulgada pelo Poder360, que relatou a existência de conversas entre representantes do governo e Dino com o objetivo de viabilizar o retorno de Andrei Rodrigues à direção-geral da PF.
Segundo a reportagem, Andrei teria comunicado ao Palácio do Planalto que buscaria diretamente Dino para tentar reverter seu afastamento. A movimentação teria ocorrido enquanto Fachin analisava uma saída institucional para o impasse provocado por uma decisão anterior do ministro André Mendonça, que havia determinado o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal.
O desdobramento ocorreu em 9 de setembro, quando Flávio Dino determinou o retorno de Andrei Rodrigues ao cargo e também a reintegração do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada.
Ao fundamentar a decisão, Dino apontou questões relacionadas à competência para analisar o caso e considerou que Fachin já conduzia um procedimento envolvendo os relatórios de inteligência utilizados na investigação.
A disputa, contudo, ganhou novo capítulo poucas horas depois. Fachin suspendeu as decisões anteriores de Mendonça e Dino, estabelecendo uma nova situação provisória para o comando da Polícia Federal. O ministro apontou a existência de sobreposição entre as decisões judiciais e destacou os conflitos processuais gerados pela sequência de determinações.
Fachin também convocou uma sessão extraordinária do Plenário do STF para 15 de setembro, quando os ministros deverão analisar o impasse.
A articulação atribuída a integrantes do governo passou a alimentar acusações de interferência política na disputa envolvendo o Planalto, o Supremo e a Polícia Federal. Entretanto, a existência de conversas entre membros do governo e Dino, conforme relatada pelo Poder360, não significa que tenha sido comprovada judicialmente uma estratégia para enfraquecer a decisão de André Mendonça.
Até o momento, portanto, é necessário distinguir os fatos registrados nas decisões dos ministros das interpretações políticas sobre as movimentações ocorridas nos bastidores. A definição sobre os próximos passos caberá ao STF.

