Piauí lidera ranking nacional de mortes de motociclistas, aponta Atlas da Violência 2026
O Piauí apareceu como o estado com maior percentual de mortes envolvendo motociclistas no país, segundo dados do Atlas da Violência 2026 divulgados nesta terça-feira(26). O levantamento aponta que 72,7% das vítimas fatais no trânsito registradas no estado em 2024 estavam em motocicletas, número muito acima da média nacional, que ficou em 41,6%.
Ao todo, o Piauí contabilizou 1.162 mortes no trânsito no último ano, consolidando o pior índice da série histórica recente no estado. O número supera os registros de 2023, quando foram contabilizados 1.001 óbitos, e de 2022, que teve 870 casos.
De acordo com o estudo, o crescimento acelerado das mortes relacionadas a motocicletas reflete mudanças profundas na mobilidade urbana brasileira nos últimos anos, especialmente após o período da pandemia. O Atlas destaca que o aumento do uso de motos ocorreu principalmente entre populações de menor renda e em regiões com menor oferta de transporte público.
O relatório afirma que as motocicletas se tornaram o principal vetor de mortalidade no trânsito brasileiro, respondendo atualmente por mais de 40% das mortes em grande parte dos estados. No início dos anos 2000, esse percentual era inferior a 5%, demonstrando uma mudança considerada estrutural pelos pesquisadores.
Segundo o documento, o avanço das mortes evidencia a necessidade urgente de revisão das políticas públicas voltadas à segurança viária. Entre os principais fatores apontados estão o crescimento dos aplicativos de transporte, o aumento do número de motocicletas em circulação, falhas na fiscalização e dificuldades de investimentos em infraestrutura e educação no trânsito.
No cenário nacional, o Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito em 2024, quase cinco mil a mais do que em 2019, último ano antes da pandemia. As regiões Norte e Nordeste lideraram o crescimento das fatalidades no período.
O Nordeste apresentou o maior aumento absoluto no número de mortes entre 2023 e 2024, ultrapassando a região Sudeste no total de vítimas fatais. O Atlas da Violência alerta ainda que, apesar de o país ter reduzido em 20,1% a taxa de mortes no trânsito entre 2014 e 2024, a tendência de queda foi interrompida após 2019.
Os pesquisadores afirmam que a retomada econômica e a expansão do uso de motocicletas contribuíram diretamente para o aumento das mortes, principalmente entre trabalhadores de baixa renda que passaram a utilizar o veículo como principal meio de transporte e fonte de renda.

