Petróleo supera US$ 100 e atinge maior nível desde maio com escalada de conflitos no Oriente Médio
O preço do petróleo voltou a superar a marca de US$ 100 por barril nesta quarta-feira (9), em meio ao agravamento dos confrontos envolvendo Estados Unidos e Irã e à ampliação dos ataques para outros países aliados dos norte-americanos no Oriente Médio.
O barril do Brent, referência internacional para a commodity, chegou a US$ 100,15 por volta das 4h15 (horário de Brasília). O patamar não era alcançado desde 25 de maio, quando a cotação chegou a US$ 100,73.
Durante a manhã, o petróleo continuou avançando e atingiu a máxima de US$ 100,95, às 6h45, representando alta de 3,09%. Esse foi o maior valor registrado desde 22 de maio, quando o Brent havia alcançado US$ 102,77. Por volta das 8h20, o barril era negociado a US$ 100,63, com valorização de 2,71%.
Nos Estados Unidos, o WTI, principal referência do mercado norte-americano, também registrava alta. No mesmo horário, o barril era cotado a US$ 95,24, com avanço de aproximadamente 2,24%.
A marca de US$ 100 é considerada um importante indicador para os mercados financeiros. A permanência do petróleo nesse nível pode aumentar as pressões inflacionárias em diversos países e dificultar a atuação dos bancos centrais, que podem ser levados a manter ou até elevar juros para conter a alta de preços.
A forte valorização ocorre em meio ao aumento das hostilidades entre Irã, Estados Unidos e países aliados. Nesta quarta-feira, a Guarda Revolucionária Iraniana afirmou ter atacado dez embarcações e lançado mísseis balísticos contra uma base militar na Jordânia utilizada por forças norte-americanas.
A ofensiva ocorreu após ataques realizados pelos Estados Unidos contra cinco petroleiros iranianos na terça-feira (8). Washington afirmou que suas ações foram uma resposta a ataques anteriores promovidos pelo Irã contra uma embarcação militar norte-americana.
Segundo autoridades dos Estados Unidos, nenhum militar norte-americano ficou ferido nos ataques. O governo iraniano, por sua vez, manteve as ameaças contra embarcações ligadas aos adversários e afirmou que alguns navios teriam tentado atravessar áreas consideradas proibidas no estreito de Hormuz.
A região é estratégica para o mercado mundial de energia. Antes do início da guerra, aproximadamente 20% da produção global de petróleo e gás passava pelo estreito, o que faz qualquer ameaça à circulação de navios provocar forte reação nos mercados.
O governo iraniano também ameaçou atingir petroleiros nos portos do Kuwait e do Bahrein. Paralelamente, os houthis, aliados de Teerã, intensificaram ações contra alvos na Arábia Saudita e fizeram novas ameaças a embarcações que utilizam o Mar Vermelho como rota alternativa ao estreito de Hormuz.
A possibilidade de interrupção ou redução do fluxo de petróleo na região aumentou a preocupação dos investidores. Com as negociações para um acordo de paz praticamente paralisadas nas últimas semanas, grandes instituições financeiras passaram a revisar para cima suas projeções para o preço do petróleo.
Entre os bancos que elevaram suas estimativas estão Goldman Sachs, Bank of America e HSBC, diante do risco de que a continuidade do conflito provoque novos impactos sobre a oferta global de energia.

