PESQUISA CRITICA FORMA COMO AGRONEGÓCIO É RETRATADO EM LIVROS DIDÁTICOS
Uma análise técnica sobre os livros didáticos distribuídos na rede pública brasileira reacendeu o debate sobre a qualidade e a base científica dos conteúdos ensinados nas escolas, principalmente em temas ligados ao agronegócio.
O levantamento foi realizado pela Associação De Olho no Material Escolar em parceria com a Universidade de São Paulo (USP). Segundo o estudo, apenas 4% do material analisado possui comprovação científica de fonte.
A pesquisa avaliou conteúdos presentes nos materiais fornecidos pelo Governo Federal à rede pública de ensino, considerada a maior compra de livros didáticos do mundo, com investimento anual estimado em cerca de R$ 2 bilhões.
De acordo com a presidente da associação, Letícia Jacinto, a iniciativa surgiu após pais começarem a questionar a origem das informações presentes nos livros escolares. Ela relatou ter ficado alarmada após a própria filha apresentar uma redação escolar contendo termos relacionados a genocídio, destruição cultural e suicídio ligados ao agronegócio e aos produtores rurais.
Segundo Letícia, muitos autores dos materiais vivem em contextos urbanos e acabam produzindo conteúdos sem conhecimento aprofundado sobre o setor agropecuário brasileiro.
O cientista político Cristian Lohbauer também criticou a forma como o agronegócio vem sendo retratado em materiais escolares nas últimas décadas. Segundo ele, há conteúdos que não correspondem à realidade do setor e que reforçam narrativas negativas sobre produção agrícola, uso de defensivos e relações de trabalho no campo.
A associação informou ainda que aproximadamente 40% dos livros didáticos analisados abordam o agronegócio em algum momento, o que reforça, segundo a entidade, a necessidade de revisão dos conteúdos e atualização com base científica.
A organização atua atualmente em mais de 20 estados brasileiros e afirma que o objetivo não é atacar editoras, mas colaborar para adequação técnica e científica dos materiais utilizados nas escolas públicas.

