Assistência socialDESTAQUEGoverno FederalLulaNotíciaPolíticaRecentes

Número de pessoas em situação de rua quase dobra desde o fim de 2022 e contrasta com discurso do governo sobre combate à fome

O número de pessoas em situação de rua registradas no Cadastro Único (CadÚnico) praticamente dobrou desde o fim de 2022. Dados oficiais mostram que o contingente passou de 198,7 mil pessoas, em dezembro daquele ano, para 392,4 mil em junho de 2026, um aumento de 97,4%, equivalente a mais de 193 mil novos registros.

O crescimento reacendeu o debate sobre a efetividade das políticas sociais do governo federal. Em diferentes ocasiões, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil voltou a sair do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU), atribuindo o resultado à retomada de programas sociais e ao combate à insegurança alimentar. No entanto, críticos do governo apontam que o avanço expressivo da população em situação de rua contrasta com esse discurso e evidencia o agravamento da vulnerabilidade social em diversas cidades do país.

O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social sustenta que parte do aumento dos registros decorre da ampliação e do aperfeiçoamento do cadastramento realizado pelos municípios. A justificativa, porém, é contestada por parlamentares da oposição, que afirmam que a elevação dos números reflete o crescimento da pobreza extrema e da exclusão social.

Outro ponto levantado pelos críticos é o desempenho do Plano Nacional Ruas Visíveis, lançado pelo governo federal com previsão de investimentos de R$ 982 milhões. Segundo eles, mesmo após a implementação do programa, o número de pessoas cadastradas em situação de rua continuou aumentando.

Na Câmara dos Deputados, o deputado federal Hélio Lopes apresentou requerimentos solicitando explicações ao governo sobre denúncias de que integrantes de organizações criminosas estariam confiscando cartões do Bolsa Família pertencentes a pessoas em situação de rua.

Enquanto o governo defende que o fortalecimento do CadÚnico amplia o acesso dessa população às políticas públicas, a oposição afirma que os dados revelam um cenário incompatível com a narrativa de recuperação social e econômica apresentada pelo Palácio do Planalto.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *