Estudo sobre transposição do São Francisco para o Piauí chega a 78% e deve ser concluído em novembro
O estudo que vai avaliar a viabilidade da transposição das águas do Rio São Francisco para o semiárido do Piauí entrou na etapa final. O Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica, Ambiental e Social (EVTEAS) já alcançou 78% de execução e tem previsão de conclusão até 30 de novembro.
As informações foram apresentadas pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) ao deputado estadual Franzé Silva (PT), que acompanha e articula a proposta de integração hídrica do São Francisco com o estado.
Durante a elaboração do estudo, equipes realizaram levantamentos em 103 municípios e ouviram representantes das administrações locais. Também foram concluídos o diagnóstico da área de influência, os serviços iniciais e oficinas participativas com órgãos públicos e instituições da região.
O EVTEAS deverá indicar se o projeto apresenta condições técnicas, econômicas, ambientais e sociais para ser executado, além de apontar a alternativa considerada mais adequada para a implantação do sistema de integração hídrica.
Na fase atual, estão sendo realizados estudos de campo, avaliações sobre desenvolvimento regional e potencial agrícola, análise das diferentes alternativas de traçado e consolidação da proposta considerada mais viável. Os trabalhos também incluem avaliações ambientais, econômicas e socioambientais.
Para Franzé Silva, a chegada das águas do São Francisco poderia reduzir os impactos provocados pela escassez hídrica no semiárido piauiense, principalmente durante os períodos de estiagem. O parlamentar defende que a obra possa ampliar o acesso à água para consumo humano, criação de animais e produção agrícola.
O projeto está incluído no Novo PAC e conta com R$ 8,5 milhões destinados à elaboração dos estudos. Após a conclusão do EVTEAS, o relatório deverá reunir os resultados dos levantamentos e servir de base para uma análise mais ampla sobre a possibilidade de execução do empreendimento.
Entre os fatores que serão avaliados estão os custos da obra, os impactos ambientais, os possíveis benefícios econômicos e sociais e as condições necessárias para a operação do sistema.


Projeto pode beneficiar mais de 1 milhão de pessoas
A proposta conhecida como Canal de Integração do Sertão Piauiense, ou Eixo Oeste, prevê a utilização de águas do Rio São Francisco a partir do Lago de Sobradinho, na Bahia, com direcionamento para as bacias dos rios Piauí e Canindé.
A estimativa apresentada para o projeto aponta a necessidade de ampliar em aproximadamente 30 metros cúbicos por segundo a disponibilidade hídrica do semiárido. A estrutura poderá atender uma população superior a 1 milhão de pessoas.
O planejamento atual contempla 24 municípios do Piauí e dois da Bahia. No território piauiense, estão previstos Alegrete do Piauí, Belém do Piauí, Campo Alegre do Fidalgo, Capitão Gervásio Oliveira, Caridade do Piauí, Coronel José Dias, Curral Novo do Piauí, Dirceu Arcoverde, Dom Inocêncio, Francisco Macedo, Jacobina do Piauí, Lagoa do Barro do Piauí, Massapê do Piauí, Padre Marcos, Patos do Piauí, Paulistana, Queimada Nova, São Francisco de Assis do Piauí, São João do Piauí, São Julião, São Lourenço do Piauí, Simões, Vila Nova do Piauí e São Raimundo Nonato.
Na Bahia, o projeto prevê a inclusão dos municípios de Remanso e Sento Sé.
Mobilização busca viabilizar integração hídrica
A articulação política em torno do projeto ganhou força em junho, quando Franzé Silva acompanhou uma comitiva formada por prefeitos e vereadores piauienses em uma visita às estruturas do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), em Salgueiro, Pernambuco.
Durante a agenda, o grupo conheceu os reservatórios Negreiros e Mangueira, a Estação de Bombeamento Intermediária 3 (EBI-3) e outras estruturas do sistema. A visita contou com representantes do MIDR e com o presidente da Associação Piauiense de Municípios (APPM), Pompílio Evaristo.
A conclusão do EVTEAS será uma das principais etapas para definir os próximos passos da proposta. O resultado deverá indicar se a transposição é viável e qual alternativa poderá ser adotada para ampliar a oferta de água no semiárido piauiense.

