Waack aponta aumento da politização do STF com aproximação das eleições
A aproximação das eleições de 2026 tem ampliado os debates sobre a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), especialmente diante de disputas envolvendo ministros da Corte, partidos políticos e questões diretamente relacionadas ao processo eleitoral. A avaliação é do jornalista William Waack, em análise publicada nesta quarta-feira (23).
No texto, Waack relaciona dois episódios recentes: o pedido do PT para que o ministro Flávio Dino, do STF, apure possíveis interferências estrangeiras nas eleições e a decisão do ministro Gilmar Mendes sobre o reajuste do Bolsa Família.
O pedido apresentado pelo PT foi protocolado dentro da ADPF 1.178, processo que já era relatado por Dino. A legenda solicitou que fossem investigadas possíveis operações de origem estrangeira envolvendo plataformas digitais, instituições financeiras, publicidade, recursos, bens e serviços com eventual impacto sobre as eleições.
Na avaliação de Waack, a escolha de ministros do Supremo para tratar de temas relacionados às eleições representa um avanço da politização do Tribunal. O jornalista questiona a utilização de processos anteriores como fundamento para estabelecer conexão com questões atuais.
O episódio envolvendo Gilmar Mendes ocorreu na semana anterior. O ministro reconheceu a validade do reajuste de 15,04% do Bolsa Família, anunciado pelo governo federal, e concluiu que a medida não contrariava as restrições previstas na legislação eleitoral. A decisão foi tomada após pedido da Advocacia-Geral da União (AGU).
Segundo Waack, os dois episódios demonstrariam uma aproximação maior entre decisões do STF e temas de interesse político-eleitoral. O jornalista também menciona disputas internas entre integrantes do Supremo e do TSE, incluindo divergências envolvendo os ministros Gilmar Mendes, André Mendonça e Nunes Marques.
Gilmar Mendes alertou sobre politização da Justiça Eleitoral
Em 19 de setembro, Gilmar Mendes publicou uma manifestação defendendo que o TSE preserve uma atuação imparcial e apartidária. O ministro afirmou que o risco de politização dentro da Justiça Eleitoral deveria ser tratado com atenção e disse que integrantes que tentassem transformar o Tribunal em espaço de proselitismo partidário deveriam ser submetidos à fiscalização.
Gilmar também afirmou que o STF continuaria atuando como instância de supervisão da Justiça Eleitoral. A declaração ocorreu após uma sequência de embates públicos entre ministros do Supremo, incluindo divergências sobre a condução de processos com possíveis repercussões eleitorais.
Poucos dias antes, durante uma sessão do STF, Gilmar havia acusado André Mendonça de conduzir o caso envolvendo o Banco Master com possível viés político-eleitoral. Mendonça rejeitou a acusação e classificou a declaração como leviana.
No artigo, Waack retoma a manifestação de Gilmar sobre a necessidade de evitar a politização da Justiça Eleitoral e argumenta que a própria atuação recente dos tribunais superiores passou a ocupar espaço central no debate político às vésperas das eleições.
Debate envolve STF, TSE e eleições de 2026
A disputa em torno da atuação dos tribunais superiores ocorre em um cenário de crescente judicialização de questões relacionadas às eleições. O TSE é responsável pela organização e fiscalização do processo eleitoral, enquanto o STF exerce competências constitucionais e pode analisar questões relacionadas à legislação e aos direitos fundamentais.
A análise de Waack sustenta que a proximidade do pleito tende a ampliar as pressões políticas sobre as instituições. O jornalista também questiona o uso de estruturas judiciais já existentes para tratar de temas que, embora tenham conexão formal com processos anteriores, possuem repercussão direta no cenário eleitoral.
As avaliações sobre esse processo são objeto de disputa entre diferentes atores políticos e institucionais. As decisões e manifestações citadas no artigo, por sua vez, estão registradas oficialmente ou foram publicamente atribuídas aos respectivos ministros.

