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Piauí registra mais de 50 mil casos de violência doméstica em 2025

O Piauí registrou, até julho de 2025, mais de 50 mil ocorrências de violência contra a mulher, segundo dados da Polícia Civil do Estado. Em Teresina, foram contabilizados 28 casos de feminicídio até agosto, indicando uma tendência de aumento desse tipo de crime no estado.

Tipos de violência

Entende-se como violência de gênero qualquer agressão psicológica, física, moral, patrimonial, sexual, simbólica, doméstica ou institucional, praticada contra mulheres ou motivada por orientação sexual ou identidade de gênero. Crianças e adolescentes também estão incluídas entre as principais vítimas.

Sobrevivência e consequências

Além do risco de feminicídio, mulheres que conseguem sair do ciclo de violência enfrentam sequelas físicas, psicológicas e financeiras. É o caso da jornalista Yara Ataíde, vítima de agressões durante sete anos. Em setembro de 2024, após ser agredida com socos pelo ex-marido, sargento Gilvan Freitas, do Corpo de Bombeiros Militar do Piauí, Yara denunciou o agressor, que havia sido filmado por câmeras de segurança.

“Após a denúncia, senti alívio, mas também medo, pois continuei recebendo ameaças. Ele usava nossos filhos como forma de me intimidar”, relatou.

Auxílio do INSS para vítimas

Em agosto de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu o direito ao auxílio do INSS para mulheres vítimas de violência doméstica, similar ao auxílio-doença, destinado às que precisaram se afastar do trabalho devido às agressões.

A coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar da Defensoria Pública do Estado reforçou que a medida complementa a Lei Maria da Penha, garantindo manutenção do vínculo empregatício e pagamento do salário durante até seis meses de afastamento.

Yara, que hoje vive em outro estado, afirmou:
“Hoje tento reconstruir minha vida de forma mais leve, mas ele segue como se nada tivesse acontecido.”

Posicionamento do Corpo de Bombeiros

O Corpo de Bombeiros Militar do Piauí informou que o sargento Gilvan Freitas foi denunciado em 2024, teve porte de arma suspenso e foi afastado da função. A corporação ressaltou que a apuração interna foi concluída e que, dependendo das decisões judiciais, poderá haver punição disciplinar, inclusive expulsão.

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