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Hospital São Marcos afirma precisar de R$ 4 milhões mensais para retomar novos atendimentos oncológicos pelo SUS

O Hospital São Marcos, em Teresina, informou nesta segunda-feira (6) que necessita de um reforço financeiro de R$ 4 milhões por mês, além dos recursos atualmente repassados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), para retomar o atendimento de novos pacientes com câncer. Segundo a direção da unidade, os valores recebidos hoje não são suficientes para custear os serviços prestados.

Na última sexta-feira (3), o hospital anunciou a suspensão temporária da admissão de novos pacientes oncológicos pelo SUS. A instituição afirma que a medida foi adotada diante do déficit financeiro enfrentado para manter os tratamentos.

Durante entrevista coletiva, o diretor técnico do hospital, Marcelo Martins, afirmou que a crise decorre do subfinanciamento da assistência oncológica e não de problemas administrativos da unidade. Segundo ele, hospitais com perfil semelhante em outros estados recebem repasses significativamente superiores pelos serviços prestados ao SUS.

Dados apresentados pelo hospital mostram que, com base em informações de 2023, o Hospital Oncológico Infantil do Pará recebe cerca de 4,5 vezes o valor da tabela do SUS por paciente infantil atendido. Já o AC Camargo Cancer Center, em São Paulo, recebe aproximadamente 3,9 vezes o valor da tabela, enquanto o Hospital São Marcos recebe o equivalente a 1,1 vez o valor-base.

De acordo com a direção, a diferença nos repasses compromete a sustentabilidade financeira da instituição, que realiza quase 40 mil atendimentos oncológicos por ano e figura entre os dez maiores serviços especializados do país. Atualmente, o hospital realiza cerca de 4.900 sessões de quimioterapia por mês.

Marcelo Martins ressaltou que a suspensão da entrada de novos pacientes busca preservar o atendimento daqueles que já estão em tratamento. Segundo ele, o esforço da equipe é garantir a continuidade da assistência aos pacientes já cadastrados.

O diretor também alertou que um eventual colapso do Hospital São Marcos teria impacto direto na rede de saúde do Piauí, afirmando que nenhuma outra unidade do estado possui capacidade para absorver toda a demanda atualmente atendida pela instituição.

A situação foi comunicada à Fundação Municipal de Saúde (FMS) e à Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi). Segundo o hospital, representantes dos dois órgãos reconheceram, em reuniões técnicas, a necessidade de reforço no financiamento da oncologia.

A presidente da Fundação Municipal de Saúde, Leopoldina Cipriano, informou que o município busca junto ao Ministério da Saúde um aporte de R$ 90 milhões para fortalecer os serviços de oncologia em Teresina.

Enquanto não há definição sobre novos recursos, pacientes que precisarem iniciar tratamento deverão ser encaminhados ao Hospital Getúlio Vargas (HGV) e ao Hospital Universitário (HU). A direção do São Marcos defende a revisão dos contratos e da remuneração dos serviços prestados, considerando a complexidade da assistência oferecida pela unidade.

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