Galípolo admite descumprimento da meta de inflação em quatro dos últimos seis anos e alerta para desafio persistente
O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira, durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que a autoridade monetária descumpriu a meta de inflação em quatro dos últimos seis anos, expondo as dificuldades enfrentadas pelo país para controlar a alta dos preços mesmo com a taxa básica de juros em patamar elevado.
Durante a sessão, marcada também por embates políticos e questionamentos relacionados ao caso Banco Master, Galípolo destacou que, entre 2020 e 2025, apenas nos anos de 2020 e 2023 não houve necessidade de envio de carta aberta para justificar o estouro da meta inflacionária. Segundo ele, o histórico evidencia um problema estrutural na condução da política monetária brasileira.
A declaração reforça o cenário de dificuldade para levar a inflação ao centro da meta, mesmo com a manutenção da taxa Selic em níveis considerados restritivos. Galípolo afirmou que o país enfrenta pressões inflacionárias persistentes, agravadas por choques externos e pelo aquecimento da atividade econômica.
Desde 2025, o Brasil passou a adotar o sistema de meta contínua de inflação, estabelecido pelo Decreto nº 12.079/2024. Pela regra, o Banco Central precisa prestar esclarecimentos formais sempre que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) permanecer fora da faixa de tolerância por seis meses consecutivos. O centro da meta fixado pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com intervalo de tolerância previamente definido.
Na prática, a fala do presidente do BC sinaliza que uma nova carta aberta poderá ser necessária caso a inflação siga resistente nos próximos meses. O reconhecimento público do histórico recente reforça o alerta sobre os limites da política monetária no combate à alta de preços e o impacto contínuo da inflação no poder de compra da população brasileira.

