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Fernando Henrique Cardoso relembra origem de programas de transferência de renda e critica formato do Bolsa Família

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso relembrou a criação de programas de transferência de renda no Brasil e afirmou que iniciativas que posteriormente deram origem ao Bolsa Família começaram a ser estruturadas durante seu governo. Segundo ele, a discussão ganhou força no país após os períodos de inflação, dificuldades econômicas e aumento da pobreza registrados nas décadas de 1980 e 1990.

Na avaliação de Fernando Henrique, organismos internacionais como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) defendiam a adoção de programas de transferência direta de renda, conhecidos internacionalmente como cash transfer. A proposta consistia em repassar recursos diretamente às famílias em situação de vulnerabilidade.

O ex-presidente destacou o Bolsa-Escola como uma das principais iniciativas desenvolvidas naquele período. Segundo ele, experiências anteriores haviam sido realizadas em Campinas, durante a gestão do prefeito José Roberto Magalhães Teixeira, e posteriormente em Brasília, com Cristovam Buarque, além de iniciativas em Goiás.

Durante seu governo, Fernando Henrique afirmou que a ideia foi transformada em um sistema de transferência direta por meio de cartões destinados às mães das famílias. O modelo, segundo ele, buscava reduzir a interferência de intermediários e estabelecer como condição para o recebimento do benefício a frequência escolar dos filhos.

De acordo com o ex-presidente, cerca de 5,5 milhões de bolsas do programa de educação foram distribuídas. Ele também citou outras iniciativas, como o Bolsa-Alimentação, ligado ao Ministério da Saúde, o Bolsa-Gás, criado durante o governo de Itamar Franco, e programas voltados à retirada de crianças de atividades consideradas penosas e à permanência delas na escola.

Fernando Henrique também mencionou iniciativas coordenadas ou apoiadas pela então primeira-dama Ruth Cardoso, entre elas ações da Comunidade Solidária, programas de alfabetização e a Universidade Solidária.

Segundo o ex-presidente, no final de seu governo já havia estudos na Caixa Econômica Federal para unificar os diferentes programas de transferência de renda em um único benefício. Ele afirmou, porém, que tinha ressalvas em relação à proposta, principalmente pelo risco de criação de uma estrutura burocrática ampla e de utilização política dos benefícios.

Na avaliação de Fernando Henrique, a gestão dos programas deveria permanecer vinculada aos ministérios responsáveis por áreas específicas, como Educação, Saúde e Alimentação, permitindo maior controle sobre os objetivos de cada iniciativa.

O ex-presidente afirmou ainda que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva optou posteriormente pela unificação dos programas e pela criação de uma estrutura centralizada para administrar a política de transferência de renda. Fernando Henrique classificou essa mudança como uma forma de apropriação política do programa.

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