Daniel Vorcaro diz que pode revelar informações sobre integrantes do governo em tentativa de delação
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em depoimento prestado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que desejava colaborar com as investigações e apresentar informações envolvendo integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As declarações foram feitas durante uma oitiva conduzida por um juiz auxiliar do gabinete do ministro André Mendonça, sem a participação de agentes da Polícia Federal (PF).
O depoimento ocorreu no fim de agosto e foi divulgado no início de setembro de 2026. Durante a audiência, Vorcaro afirmou que suas tentativas de negociar um acordo de delação premiada não avançaram. Segundo ele, a possibilidade de relatar fatos relacionados a integrantes do governo e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, teria dificultado as negociações.
O ex-controlador do Banco Master também questionou a atuação da cúpula da PF e alegou ter enfrentado obstáculos para apresentar as informações que dizia possuir. As declarações fazem parte da versão apresentada pelo próprio investigado e não representam, por si só, comprovação das acusações mencionadas.
A ausência de agentes da Polícia Federal na oitiva foi justificada pelo gabinete de André Mendonça com base no pedido da defesa, que relatou supostas intimidações sofridas por Vorcaro durante a prisão. O procedimento foi conduzido por um juiz auxiliar, e o conteúdo da audiência está sujeito às regras de sigilo aplicáveis ao caso.
O episódio amplia a repercussão política das investigações envolvendo o Banco Master e as tentativas de negociação de uma colaboração premiada. Eventuais informações apresentadas por Vorcaro ainda precisam ser avaliadas pelas autoridades responsáveis, com análise dos elementos de prova e verificação das alegações.
Em outro episódio, divulgado em outubro, a Polícia Federal negou a existência de um depoimento com o teor de uma reportagem que atribuía a Vorcaro informações sobre suposto financiamento de um documentário relacionado a Lula. A corporação afirmou que não recebeu depoimento, documentos ou anexos com aquele conteúdo. Essa negativa se refere especificamente à informação divulgada em outubro, e não ao depoimento anterior realizado no gabinete de André Mendonça.

