Avanço de frotas estrangeiras pressiona pesca no Brasil e expõe fragilidade na fiscalização marítima
Um episódio ocorrido em 2018, a cerca de 600 quilômetros da costa do Rio Grande do Norte, ilustra os riscos enfrentados por pescadores brasileiros em alto-mar. Na ocasião, um barco de pesca chinês teria tentado afundar uma embarcação nacional com a tripulação a bordo durante cerca de 40 minutos. O capitão Carlos Derlando sobreviveu porque o navio em que estava era feito de aço, segundo relatos.
O caso é citado como exemplo de um problema crescente na costa da América do Sul: a presença cada vez maior de embarcações estrangeiras. Estimativas apontam que atualmente cerca de 550 navios atuam na região, sendo aproximadamente 70% de origem chinesa. Há duas décadas, esse número não chegava a 200.
Além da disputa por recursos pesqueiros, denúncias recorrentes envolvem condições de trabalho precárias a bordo dessas embarcações, incluindo situações análogas à escravidão, além de práticas ilegais como pesca predatória e desligamento de rastreadores por longos períodos para dificultar a fiscalização.
O avanço dessas frotas impacta diretamente pescadores brasileiros, que relatam perda de renda e redução na disponibilidade de pescado. Especialistas também alertam para reflexos na soberania e no controle de recursos naturais do país.
A fiscalização, no entanto, enfrenta limitações. A área marítima sob responsabilidade do Brasil soma cerca de 5,7 milhões de quilômetros quadrados, enquanto o orçamento destinado à vigilância naval sofreu redução significativa na última década.
Anunciado em 2010, o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), projetado para monitorar a extensa costa brasileira, começou a sair do papel apenas recentemente, com a primeira unidade entrando em operação após cerca de 15 anos.
O cenário reacende o debate sobre políticas de defesa, proteção de recursos naturais e apoio à atividade pesqueira no país.

