Assaí fatura R$ 20,6 bilhões no trimestre, mas lucro representa R$ 0,42 a cada R$ 100 em vendas
O Assaí Atacadista encerrou o primeiro trimestre de 2026 com faturamento de R$ 20,6 bilhões, mas registrou lucro líquido de R$ 86 milhões no período. Os números, divulgados pela companhia, evidenciam a diferença entre o volume de vendas e o resultado efetivamente obtido pela empresa após o pagamento de custos, despesas e tributos.
Na prática, o lucro líquido corresponde a aproximadamente R$ 0,42 para cada R$ 100 em vendas realizadas durante o trimestre. Em relação ao mesmo período do ano passado, o lucro apresentou queda de 46,7%.
Apesar do faturamento bilionário, o resultado reflete os desafios enfrentados pelo setor varejista. Além do custo das mercadorias vendidas, empresas do segmento precisam arcar com despesas operacionais, folha de pagamento, logística, energia, aluguéis, tecnologia, juros, perdas e a carga tributária incidente sobre a atividade.
O desempenho reacendeu o debate sobre o peso dos impostos na formação dos preços e na rentabilidade das empresas. Especialistas destacam que, no Brasil, a tributação incide em diversas etapas da cadeia produtiva e de comercialização, influenciando tanto os custos das empresas quanto o preço final pago pelos consumidores.
Dados do Tesouro Nacional apontam que a carga tributária bruta do governo geral alcançou 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025. No caso dos tributos sobre o consumo, economistas observam que o impacto tende a ser maior para famílias de menor renda, que destinam parcela significativa do orçamento à compra de alimentos, medicamentos, transporte e outros itens essenciais.
Em seu balanço, o Assaí informou que o trimestre foi marcado por um ambiente econômico desafiador, com juros elevados, maior endividamento das famílias e retração do consumo. A empresa também destacou a deflação em produtos importantes da cesta básica, como arroz, feijão, açúcar, óleo de soja, farinha de trigo e leite UHT, fator que reduziu o valor das vendas, embora beneficie o consumidor.
A companhia registrou margem EBITDA de 5,5% e lucro líquido recorrente antes dos efeitos da norma contábil IFRS 16 de R$ 174 milhões. Considerando créditos tributários de PIS e Cofins, o lucro líquido chegou a R$ 367 milhões. Entretanto, o lucro líquido reportado oficialmente ao mercado permaneceu em R$ 86 milhões, número que concentra as atenções por representar o resultado final da operação.
Os dados reforçam que faturamento elevado não significa, necessariamente, alta rentabilidade. No varejo alimentar, caracterizado por margens reduzidas e grande volume de vendas, o lucro depende do equilíbrio entre receitas, custos operacionais, despesas financeiras e carga tributária.

