Diferença no preço da energia entre Brasil e Paraguai reacende debate sobre custos do setor elétrico
A diferença entre o valor pago pela energia elétrica no Brasil e no Paraguai voltou a gerar discussões sobre os custos que compõem a tarifa cobrada dos consumidores. Apesar de ambos os países compartilharem a produção da Hidrelétrica de Itaipu, uma das maiores geradoras de energia do mundo, os preços pagos pelos usuários finais apresentam diferenças significativas.
Especialistas apontam que a disparidade não está relacionada ao custo de geração da energia, mas sim aos encargos e despesas agregados ao longo da cadeia de distribuição. Entre os principais fatores estão a carga tributária, os custos de transmissão e os compromissos financeiros assumidos pelo sistema elétrico brasileiro.
No Brasil, a conta de luz inclui impostos como ICMS, PIS e Cofins, além de diversos encargos setoriais destinados ao financiamento de políticas públicas e subsídios do setor elétrico. Esses componentes representam uma parcela considerável do valor final pago pelos consumidores.
Outro fator relevante é a dimensão territorial brasileira. A energia produzida nas usinas precisa percorrer grandes distâncias por meio de extensas redes de transmissão até chegar aos centros consumidores, o que gera custos operacionais incorporados às tarifas.
Também pesam sobre o sistema elétrico brasileiro acordos e compensações relacionados ao aproveitamento da energia produzida por Itaipu, especialmente no contexto da utilização da parcela não consumida pelo Paraguai.
Nos últimos anos, a quitação da dívida histórica contraída para a construção da usina gerou expectativa de redução nos custos associados ao empreendimento. No entanto, especialistas destacam que o valor final da conta de energia depende de diversos outros fatores regulatórios, tributários e operacionais que continuam impactando as tarifas cobradas no país.
O debate sobre a composição da conta de luz tem sido recorrente diante do aumento dos custos para consumidores residenciais e empresariais, levando a discussões sobre possíveis reformas no modelo tributário e regulatório do setor elétrico brasileiro.

