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Correios adiam fechamento de agências após pressão de servidores e mantêm estado de greve

Os Correios decidiram suspender temporariamente parte das medidas previstas no plano de reestruturação da estatal, incluindo o fechamento de agências, a retirada de gratificações pagas a funcionários do atendimento e a implantação de um novo sistema para dimensionar as operações de entrega. A decisão foi tomada após a mobilização de sindicatos, que ameaçavam iniciar uma greve.

Segundo a empresa, a suspensão permitirá que representantes dos trabalhadores analisem e discutam possíveis ajustes nas medidas propostas. Apesar da mudança, outras ações do plano de reestruturação continuam em andamento, como a venda de imóveis e iniciativas voltadas à redução de despesas.

Em comunicado, os Correios afirmaram que a interrupção é temporária e restrita aos temas que estão sendo negociados com as entidades sindicais. A empresa destacou que a intenção é preservar o diálogo e buscar soluções de forma conjunta.

A proposta foi formalizada em um documento encaminhado aos sindicatos, no qual a direção da estatal informa que o fechamento de unidades ficará suspenso até 31 de julho de 2026, com exceção das agências que já foram encerradas ou que estão em estágio avançado de desativação. Em troca, os trabalhadores recuaram da paralisação prevista para esta semana e decidiram manter apenas o estado de greve.

Durante esse período, a empresa também irá reavaliar a retirada do Adicional de Atendimento em Guichê (AAG) e da gratificação conhecida como Quebra de Caixa, além de revisar medidas adotadas recentemente na área de distribuição.

O plano de reestruturação foi lançado para enfrentar a crise financeira enfrentada pelos Correios. A estatal encerrou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões e, somente no primeiro trimestre de 2026, registrou déficit de R$ 3,1 bilhões. Paralelamente às medidas de contenção de gastos, a direção busca contratar um novo empréstimo de R$ 7 bilhões para reforçar o caixa da empresa.

Entre as principais ações previstas está a redução de cerca de mil unidades operacionais, entre agências e centros de tratamento e distribuição. Até o momento, 256 unidades já foram fechadas. A expectativa inicial era gerar uma economia de aproximadamente R$ 2,1 bilhões.

A empresa também prepara um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV), que deverá ser direcionado aos empregados das unidades previstas para encerramento das atividades. A primeira etapa do programa teve adesão abaixo do esperado, com pouco mais de 3 mil funcionários inscritos, número inferior à meta de 10 mil desligamentos.

Além do corte de despesas, os Correios seguem buscando novas fontes de receita por meio de parcerias comerciais, estratégia considerada essencial para tentar reverter a situação financeira da estatal.

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