Cânion do Rio Poti combina belezas naturais, pinturas rupestres e tradições do interior do Piauí
O Cânion do Rio Poti reúne paisagens naturais, vestígios arqueológicos e manifestações culturais que fazem da região de Buriti dos Montes, Castelo do Piauí e Juazeiro do Piauí uma opção para quem busca turismo de natureza e experiências ligadas à história do estado.
Em Buriti dos Montes, parte desse patrimônio está localizada no Parque Estadual Cânion do Rio Poti, criado em 18 de outubro de 2017. A unidade de conservação ocupa aproximadamente 24,7 mil hectares e protege áreas de Caatinga, recursos hídricos, formações geológicas e sítios arqueológicos. Outros atrativos, situados fora dos limites do parque, também integram as possibilidades de visitação no vale do rio.
Entre os destaques estão as pinturas rupestres e as gravuras conhecidas como petróglifos, registros que ajudam a compreender a presença de antigos grupos humanos na região. Esses locais podem fazer parte de roteiros turísticos e de atividades educativas voltadas à história, à arqueologia e à preservação ambiental.

Visitação exige acompanhamento e planejamento
Para conhecer os atrativos, é necessário organizar o passeio com antecedência e observar as regras de acesso. Dentro do parque estadual, as visitas devem ser realizadas com acompanhamento de guia ou condutor autorizado. Os trajetos precisam respeitar as áreas permitidas, as orientações de segurança e a capacidade de atendimento dos profissionais envolvidos.
Em agosto de 2025, foi anunciada uma capacitação destinada a 37 moradores da região interessados em trabalhar na condução de visitantes. A formação teve participação da empresa júnior do curso de Turismo da Universidade Estadual do Piauí (Uespi) e incluiu conteúdos sobre segurança, conservação ambiental e turismo de base comunitária.
Comunidades locais participam da valorização do patrimônio
A atuação dos moradores é considerada importante para a preservação dos sítios arqueológicos e para a experiência dos turistas. Segundo o ecologista, jornalista e mestrando em Arqueologia Dionísio Carvalho, o conhecimento das comunidades contribui para contextualizar os registros históricos e orientar quem visita a região.
“As gravuras rupestres são registros da presença humana neste território e precisam ser conhecidas com orientação. Quando o visitante entende o valor desses sítios, o passeio ganha outra dimensão. A participação dos moradores é fundamental nesse processo, porque eles conhecem os caminhos, a história das comunidades e as mudanças na paisagem”, afirmou.
Além dos passeios, a estruturação do turismo envolve serviços de hospedagem, alimentação, transporte e acompanhamento de visitantes. A articulação entre a Secretaria Estadual do Turismo (Setur), as prefeituras e os empreendedores locais busca integrar esses serviços e ampliar a divulgação dos roteiros disponíveis.

O secretário estadual do Turismo, Daniel Oliveira, destacou a importância de conectar os atrativos às atividades econômicas das comunidades para estimular a geração de renda.
“O Cânion do Rio Poti tem condições de atrair visitantes interessados na natureza e na história do Piauí. Para transformar esse potencial em renda, precisamos conectar os atrativos aos serviços da região e valorizar quem trabalha no território. O turista que permanece mais tempo, utiliza a hospedagem, consome nos estabelecimentos locais e ajuda a distribuir os benefícios da atividade”, pontuou.

