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Banco Central estuda novas regras para reforçar a segurança do Pix após ataques cibernéticos

O Banco Central (BC) avalia mudanças nas regras do Pix com o objetivo de fortalecer a segurança do sistema de pagamentos instantâneos. As propostas foram impulsionadas pela sequência de ataques cibernéticos registrados nos últimos anos, que expuseram vulnerabilidades em instituições financeiras e provocaram prejuízos bilionários.

Entre as medidas em estudo está a possibilidade de impor restrições a bancos, fintechs e empresas de tecnologia que apresentem falhas recorrentes ou controles insuficientes de segurança cibernética. A intenção é permitir uma atuação mais rápida do Banco Central diante da identificação de riscos, sem depender exclusivamente de processos administrativos.

Pelas propostas analisadas, instituições que não atenderem aos padrões exigidos poderão sofrer limitações, como redução dos valores e horários permitidos para transações, restrições ao cadastro de novas chaves Pix e, em casos mais graves, suspensão temporária do acesso ao Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI).

Ataques aceleraram discussão

O debate ganhou força após uma série de ataques cibernéticos registrados entre 2024 e 2025. Segundo estimativas do mercado, as fraudes digitais causaram prejuízos superiores a R$ 1,5 bilhão no período.

Um dos episódios de maior repercussão envolveu a C&M Software, empresa responsável por conectar instituições financeiras à infraestrutura do Banco Central. Criminosos exploraram vulnerabilidades no sistema da companhia e desviaram cerca de R$ 800 milhões, em um dos maiores ataques já registrados no ecossistema do Pix.

Especialistas apontam que, em vez de atacar diretamente os grandes bancos, os criminosos têm concentrado esforços em empresas intermediárias e instituições menores, consideradas mais vulneráveis.

Segurança passa a ser prioridade

Mesmo com o endurecimento das normas de segurança cibernética ao longo de 2025, novos incidentes continuaram sendo registrados. Entre eles, tentativas de invasão contra fintechs e empresas do setor financeiro, levando o Banco Central a reforçar alertas aos participantes do Sistema de Pagamentos Instantâneos.

Durante evento promovido pela autoridade monetária, o diretor de Administração do BC, Rodrigo Teixeira, afirmou que a segurança cibernética se tornou um tema estratégico para o Sistema Financeiro Nacional. Segundo ele, a expansão de serviços como o Pix aumentou a eficiência do sistema, mas também ampliou a exposição a ameaças digitais.

Já o diretor de Fiscalização, Ailton Aquino, destacou que o risco cibernético está entre os principais desafios enfrentados atualmente pelo Banco Central e defendeu a atualização contínua dos mecanismos de proteção para reduzir a ocorrência de novos ataques.

O que muda para instituições e usuários

Caso sejam aprovadas, as novas regras ampliarão o foco da fiscalização do Banco Central, que passará a avaliar não apenas as operações realizadas pelo Pix, mas também a estrutura tecnológica, a governança, a gestão de riscos e os controles adotados pelas instituições participantes.

Para bancos e fintechs, isso poderá representar novos investimentos em tecnologia, auditorias e segurança da informação. Já para os usuários, a expectativa é de um ambiente mais seguro, reduzindo os riscos de fraudes e fortalecendo a confiança no sistema de pagamentos instantâneos.

Antes de entrarem em vigor, as propostas deverão passar por discussão com o mercado financeiro. O objetivo é equilibrar segurança, inovação e competitividade, preservando o funcionamento do Pix, que se consolidou como o principal meio de pagamento utilizado pelos brasileiros.

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