DESTAQUEHomicídioPolíciaRecentes

Justiça Decreta Prisão Preventiva de Prefeito Acusado de Matar PM no Maranhão

A Justiça do Maranhão determinou nesta segunda-feira, 14 de julho, a prisão preventiva do prefeito João Vitor Xavier (PDT), de Igarapé Grande, acusado de matar a tiros o policial militar Geidson Thiago da Silva. O crime ocorreu em 6 de julho, durante uma vaquejada no município de Trizidela do Vale, onde o prefeito admitiu ter atirado no PM.

A decisão, proferida pelo juiz Luiz Emílio Braúna Bittencourt Júnior, da 2ª Vara de Pedreiras (MA), também autoriza buscas na residência do prefeito em Igarapé Grande e em seu gabinete na prefeitura. A Justiça determinou ainda a apreensão da arma de fogo usada no crime, além de computadores, celulares e o acesso a mensagens e e-mails de interesse da investigação. A Polícia Civil do Maranhão tem 20 dias, a partir da data do crime, para cumprir o mandado.


O que se sabe sobre o caso

O crime teria acontecido após um desentendimento entre o prefeito e o PM, que estaria de folga. Testemunhas relatam que a discussão começou quando o policial pediu que João Vitor reduzisse a intensidade dos faróis de seu carro, que estariam incomodando as pessoas na vaquejada. Imagens de câmeras de segurança, que ainda serão periciadas, mostram o prefeito se dirigindo a um carro, pegando um objeto e depois correndo de volta ao veículo após uma aglomeração de pessoas.

Segundo o delegado de Pedreiras, Diego Maciel, há a suspeita de que os disparos tenham sido efetuados contra o policial pelas costas, com cerca de cinco tiros. O corpo da vítima foi encaminhado para o IML de Timon para perícia.

Após o crime, João Vitor se apresentou espontaneamente na Delegacia de Presidente Dutra, prestou depoimento e foi liberado, pois não havia flagrante. A arma utilizada, um revólver calibre .38 sem registro e autorização, teria sido, segundo o prefeito, um presente de um eleitor e descartada no local do crime, mas ainda não foi encontrada.


Afastamento e Defesa

A Câmara Municipal de Vereadores de Igarapé Grande aceitou o pedido de licença médica do prefeito por 125 dias, período em que ele continuará recebendo seu salário líquido de R$ 13.256,08. João Vitor alegou estar “profundamente abalado” e necessitar de “tratamentos psiquiátricos”, além de ser paciente bariátrico. A vice-prefeita, Maria Etelvina, já foi empossada.

A defesa do prefeito alega que ele agiu em legítima defesa, afirmando que o policial militar teria sacado uma arma durante a discussão. No entanto, essa versão é contestada preliminarmente por testemunhas e pela Polícia Civil. O policial militar Geidson Thiago da Silva, lotado no 19º Batalhão de Polícia Militar, foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu. Ele foi sepultado em 8 de julho.

A Polícia Civil continua ouvindo testemunhas e analisando outras provas para esclarecer todos os detalhes do caso. O prefeito, por possuir foro privilegiado, deverá ser julgado em tribunais superiores, caso seja levado a julgamento.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *