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Tarifa de Trump agrava situação de Eduardo Bolsonaro no STF e pressiona investigações

A imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem potencial para impactar mais diretamente o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) do que o próprio Jair Bolsonaro (PL), investigado no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo ministros da Corte, assessores e advogados próximos aos processos, a medida anunciada por Trump não deve alterar significativamente o julgamento do ex-presidente. No entanto, pode complicar o cenário para seu filho, que é alvo de inquérito sob suspeita de coação, obstrução de investigação e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, sustenta que Eduardo pode ter cometido esses crimes ao articular com autoridades estrangeiras — especialmente nos EUA — contra membros do STF, da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal. A investigação foi prorrogada por mais 60 dias pelo ministro Alexandre de Moraes, que autorizou novas diligências da PF.

A atuação de Eduardo Bolsonaro ganhou novo peso após o anúncio da sobretaxa americana, que Trump justificou como resposta ao que chamou de “caça às bruxas” contra Bolsonaro e “censura” a redes sociais nos EUA. Essas alegações estão alinhadas com os discursos que o deputado tem defendido publicamente e nos bastidores junto ao governo republicano.

No mesmo dia da medida tarifária, Eduardo e o ex-apresentador Paulo Figueiredo — réu no caso da tentativa de golpe — divulgaram carta pedindo às autoridades brasileiras que evitem escalar o conflito diplomático. Segundo eles, a tarifa seria resultado do “êxito” no diálogo com representantes do governo Trump. A carta também sugere que sanções contra o ministro Alexandre de Moraes podem ser incluídas como retaliação adicional.

Além disso, Moraes já anexou ao inquérito um vídeo postado por Eduardo como possível indício de tentativa de interferência nas investigações da trama golpista. Na última sexta-feira (11), o parlamentar associou qualquer negociação sobre as tarifas à concessão de uma “anistia ampla, geral e irrestrita” — ligação interpretada como tentativa de pressão institucional.

Durante depoimento à Polícia Federal, Bolsonaro foi questionado sobre o financiamento das atividades de Eduardo nos EUA, incluindo se o PL envia recursos a ele ou se há articulação com autoridades estrangeiras.

No caso do ex-presidente, ministros do STF afirmam que o processo segue seu curso normal. A Primeira Turma da Corte deve julgar a acusação contra o núcleo central da denúncia da PGR a partir de setembro. O objetivo é concluir o caso até o fim de 2025 para não interferir no calendário eleitoral de 2026.

Mesmo diante da repercussão da carta de Trump, ministros afirmam que o gesto tem forte conteúdo político e, isoladamente, não altera o andamento da ação. No entanto, há avaliação de que a pressão internacional pode ter efeito contrário e endurecer a posição do Supremo.

Após a publicação da carta, o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, telefonou ao presidente Lula e ao chanceler Mauro Vieira. Ambos concordaram que a resposta deve ocorrer no campo da diplomacia.

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