Putin defende acordo de paz que garanta segurança da Rússia, Ucrânia e Europa
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta quinta-feira (22) que as negociações para encerrar a guerra na Ucrânia devem incluir garantias de segurança para os dois países e um entendimento mais amplo sobre a estabilidade em toda a Europa. A declaração foi feita um dia após uma reunião com Steve Witkoff, enviado presidencial dos Estados Unidos.
Putin confirmou que Moscou está disposta a retomar as negociações com Kiev, com mediação norte-americana, no início do próximo mês. Segundo o líder russo, o objetivo deve ser alcançar um acordo duradouro, em vez de estabelecer apenas um cessar-fogo temporário.
“Estamos prontos para retomar esses contatos a fim de alcançar esse objetivo”, afirmou Putin ao defender que as condições de segurança sejam definidas após a conclusão de um acordo de paz.
O presidente russo também declarou concordar com a ampliação das discussões para incluir a arquitetura de segurança europeia. Segundo ele, os próximos dias devem indicar como as negociações poderão avançar.
Ucrânia também manifesta disposição para negociar
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que seu país está preparado para participar de novas conversas, previstas para o início de novembro. Ele se reuniu com Witkoff na Noruega na terça-feira (20).
Zelensky declarou que Kiev apoia iniciativas voltadas ao encerramento da guerra, incluindo propostas de cessar-fogo, suspensão de ataques contra a infraestrutura energética e medidas humanitárias.
As tentativas de negociação conduzidas pelos Estados Unidos perderam impulso em fevereiro, após o início do conflito envolvendo os Estados Unidos, Israel e Irã, conforme o contexto apresentado sobre as tratativas diplomáticas.
Disputa territorial continua sendo um dos principais obstáculos
A questão territorial permanece entre os principais pontos de divergência entre Moscou e Kiev. A Rússia exige que a Ucrânia ceda toda a região de Donbas, no leste ucraniano, enquanto o governo de Zelensky rejeita abandonar as áreas que continuam sob controle de suas forças.
Ao comentar o tema, Putin afirmou que qualquer discussão sobre os territórios do leste da Ucrânia precisa considerar, na visão do Kremlin, os vínculos históricos da região com a Rússia.
O presidente russo também mencionou referendos realizados em territórios ocupados por Moscou, nos quais, segundo o governo russo, os moradores teriam votado pela incorporação à Federação Russa.
Essas consultas são contestadas pela Ucrânia e por diversos países, que não reconhecem a anexação dos territórios. A realização dos referendos sob ocupação russa é um dos elementos centrais da disputa diplomática e jurídica sobre a soberania dessas áreas.
“É o território da Rússia histórica”, declarou Putin ao defender sua posição sobre a questão territorial.
O avanço das negociações dependerá, entre outros fatores, da possibilidade de conciliar as exigências russas em relação a Donbas com a posição ucraniana de preservar sua integridade territorial, além de estabelecer condições de segurança que sejam aceitas pelas partes envolvidas.

