Piauí alcança liderança nacional em matemática no ensino médio e ganha destaque na educação
O Piauí alcançou um dos resultados mais expressivos de sua história na educação pública ao registrar o melhor desempenho do país em matemática no ensino médio, de acordo com a análise mais recente dos dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). O resultado coloca o estado à frente de unidades da federação com indicadores econômicos historicamente superiores, como São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Distrito Federal.
Os dados foram analisados a partir dos microdados do Saeb pelo Todos Pela Educação e também ganharam destaque no quadro “Chama o Nery”, do colunista Pedro Fernando Nery, do Estadão.
A evolução do Piauí chama atenção principalmente pelo ritmo de crescimento. Entre 2023 e 2025, a proficiência média em matemática dos estudantes do ensino médio da rede estadual passou de 266,6 para 286,6 pontos. O avanço de 20 pontos fez o estado subir do nível 2 para o nível 3 na escala de proficiência do Saeb, alcançando pela primeira vez essa faixa.
Considerando um período maior, desde 2015, a evolução acumulada chega a 37,88 pontos. No mesmo intervalo, a média nacional das redes estaduais cresceu 8,83 pontos.
O desempenho também evidencia uma diferença em relação a estados de maior renda. Na comparação apresentada pelos dados, o percentual de estudantes piauienses com aprendizagem considerada adequada para a idade em matemática é quase o dobro do registrado em São Paulo.
A trajetória está associada a um conjunto de políticas educacionais adotadas no estado ao longo dos últimos anos. Entre as principais medidas está a ampliação das escolas de tempo integral. Em 2025, 512 unidades estaduais de ensino médio já funcionavam nesse formato, com jornadas que podem chegar a nove horas diárias.
Além das disciplinas tradicionais, a proposta inclui conteúdos como inteligência artificial, empreendedorismo, educação financeira e robótica. As escolas também receberam investimentos em climatização, laboratórios, bibliotecas e espaços destinados à prática esportiva.
Outra estratégia adotada pelo estado foi a criação de mecanismos de incentivo relacionados ao desempenho escolar. Professores de unidades que atingem determinados resultados nas avaliações podem receber uma bonificação equivalente ao 14º salário.
O governo estadual também mantém o Pacto pela Educação, iniciativa que envolve os 224 municípios piauienses em ações de apoio técnico e formação continuada de profissionais da área. A proposta busca integrar as políticas estaduais às redes municipais e ampliar a cooperação entre os diferentes níveis de ensino.
A atual política educacional do estado tem entre seus antecedentes medidas implementadas ao longo de diferentes gestões. Uma das primeiras bases da estratégia foi estruturada durante o período em que Antônio José Medeiros esteve à frente da Secretaria de Educação.
O governador Rafael Fonteles, que possui formação em matemática e mestrado pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), estabeleceu a educação como uma das prioridades de sua administração. A área passou a ser tratada dentro de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento do estado.
Os resultados aparecem também em outros indicadores. No Ideb de 2025, o ensino médio do Piauí alcançou nota 5,0, ficando na segunda colocação nacional e na liderança entre os estados do Nordeste, conforme os dados apresentados no levantamento.
Na alfabetização, o estado recebeu em 2026 o selo Ouro do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada. O índice apresentado é de 77% de crianças alfabetizadas na idade adequada, acima dos 60% registrados anteriormente.
Na capital, Teresina, os indicadores de matemática também apresentam desempenho de destaque. Os estudantes do 9º ano do ensino fundamental aparecem entre os três melhores resultados nacionais entre cidades de médio e grande porte, segundo os dados mencionados no levantamento.
A rede privada também possui resultados expressivos. O Instituto Dom Barreto, localizado em Teresina, registrou em 2025 média geral de 752,1 pontos no Enem entre escolas com mais de 100 participantes, resultado que o colocou na 11ª posição nacional nesse recorte. A instituição já havia registrado a maior média do país no exame em 2006.
A evolução do Piauí tem sido apresentada como exemplo de que indicadores econômicos, embora relevantes para as condições educacionais, não são os únicos fatores associados ao desempenho dos estudantes. O caso do estado passou a chamar atenção justamente pela combinação entre expansão do ensino integral, políticas de incentivo, formação de professores, cooperação com os municípios e acompanhamento dos resultados.
O avanço, contudo, não significa que todos os desafios educacionais do estado estejam resolvidos. Os números apontam uma trajetória de crescimento e oferecem elementos para o debate sobre quais políticas podem contribuir para melhorar a aprendizagem em diferentes contextos brasileiros.

