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Aguapés cobrem trecho do Rio Poti e levantam alerta sobre qualidade da água

Um trecho do Rio Poti, em Teresina, ficou tomado por uma grande quantidade de aguapés e outras plantas aquáticas. A vegetação se concentra nas proximidades das obras da Ponte da UFPI, entre as zonas Norte e Leste da capital, chamando a atenção de moradores e pescadores.

A concentração das plantas também dificulta a circulação de embarcações e o acesso de pessoas a determinados pontos do rio. O fenômeno ocorre em um período marcado por pouca chuva e temperaturas elevadas.

Segundo o professor e biólogo Francisco Soares, a proliferação está relacionada à presença de matéria orgânica e nutrientes na água. Ele explica que o lançamento de esgoto sem tratamento pode aumentar a concentração desses elementos e favorecer o desenvolvimento das plantas aquáticas.

Outro fator apontado pelo especialista é a redução do volume de água durante o período de estiagem. Com a evaporação mais intensa, a concentração de poluentes e nutrientes pode aumentar, criando condições favoráveis para a expansão dos aguapés.

Embora tenham importância ambiental e possam contribuir para a filtragem da água, as plantas podem provocar impactos quando se desenvolvem de maneira excessiva. A cobertura extensa da superfície reduz a troca de gases entre a água e a atmosfera e pode diminuir a quantidade de oxigênio disponível para organismos aquáticos.

Retirada precisa ser controlada

Diante do avanço da vegetação, moradores e pescadores começaram a retirar parte dos aguapés para facilitar a circulação pelo rio. A recomendação, porém, é que esse processo seja acompanhado e realizado de maneira controlada.

De acordo com o biólogo, a retirada completa da vegetação não é indicada, já que os aguapés também desempenham uma função no ecossistema. O acompanhamento do crescimento das macrófitas aquáticas deve ser associado a medidas de preservação da qualidade da água.

A solução de longo prazo, segundo o especialista, passa pela ampliação do tratamento de esgoto e pela ligação dos imóveis à rede de saneamento. Essas medidas podem reduzir a quantidade de matéria orgânica lançada no rio e, consequentemente, limitar a disponibilidade de nutrientes que favorecem a proliferação das plantas.

Crescimento ocorreu mais cedo

O professor também avalia que o aumento da vegetação aquática ocorreu mais cedo neste ano. A combinação entre redução das chuvas, temperaturas elevadas e maior evaporação pode ter contribuído para acelerar o processo.

Com a diminuição do volume de água e a permanência da carga de poluentes, a concentração de nutrientes tende a aumentar, criando um ambiente ainda mais favorável ao desenvolvimento das macrófitas.

O cenário reforça a necessidade de monitoramento do Rio Poti, especialmente durante os períodos de estiagem, para acompanhar a qualidade da água e os possíveis impactos da proliferação excessiva da vegetação sobre o ecossistema.

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