Greve dos Correios continua sem prazo para terminar; TST julga dissídio no dia 21
A greve dos trabalhadores dos Correios permanece em andamento nesta segunda-feira (14) e segue por tempo indeterminado. A paralisação teve início na sexta-feira (11), depois que a categoria rejeitou, durante assembleias, a proposta apresentada pela empresa para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2028.
A Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (FINDECT) informou que, até o momento, não existe uma previsão para o encerramento do movimento. Entre os principais pontos defendidos pelos trabalhadores estão a continuidade das negociações, a manutenção de direitos e garantias e questões relacionadas ao plano de saúde oferecido a empregados, aposentados e dependentes.
Segundo a entidade sindical, o plano de saúde está entre os principais pontos de divergência nas negociações. A federação afirma que a empresa pretende fazer mudanças no benefício, enquanto a categoria cobra a preservação das condições atuais.
Diante da paralisação, os Correios colocaram em funcionamento o Plano de Continuidade de Negócios. A estratégia inclui o deslocamento de funcionários de áreas administrativas para auxiliar nas atividades operacionais, o remanejamento de veículos e a realização de mutirões para manter o fluxo de encomendas e correspondências.
A empresa informou ainda que as agências continuam funcionando normalmente para atendimento ao público. No entanto, não detalhou se a greve provocará alterações nos prazos de entrega ou quais regiões poderão registrar maiores impactos.
Para casos específicos, os clientes podem procurar os canais digitais dos Correios ou entrar em contato pelos números 4003-8210 e 0800-881-8210.
A disputa também avançou para a Justiça do Trabalho. Após o fim da mediação sem acordo e a rejeição da proposta apresentada para o ACT, os Correios ingressaram, na sexta-feira (11), com pedido de dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST).
No sábado (12), uma decisão liminar determinou que pelo menos 80% dos trabalhadores permaneçam em atividade em cada unidade ou estabelecimento da empresa durante a greve. A medida alcança setores de atendimento, tratamento, transporte, distribuição e áreas administrativas ou de suporte consideradas essenciais para a continuidade dos serviços postais.
O julgamento do dissídio coletivo está previsto para 21 de setembro, às 13h30, na Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC) do TST. Até a realização da sessão, trabalhadores e empresa ainda podem chegar a um entendimento e encerrar o impasse por meio de acordo.
Enquanto isso, a FINDECT orienta os sindicatos filiados a manterem a paralisação e as mobilizações. A entidade afirma que continua disposta a negociar e defende que uma eventual nova proposta seja apresentada para avaliação dos trabalhadores.
Os Correios, por sua vez, dizem respeitar o direito de greve, mas destacam que a paralisação ocorre em um período de dificuldades econômico-financeiras para a empresa. A estatal afirma que trabalha na redução de despesas, melhoria da eficiência operacional, modernização dos serviços e busca por novas fontes de receita.

