Pai de Tainah fala sobre julgamento: “Condenação não vai trazer minha filha de volta”
O julgamento das duas mulheres acusadas pela morte de Tainah Luz Brasil Rocha, de 27 anos, começou nesta quarta-feira (9), no Fórum Criminal de Teresina. A jovem foi morta a facadas em maio de 2022, e o caso chega ao Tribunal do Júri após mais de quatro anos de espera da família por uma decisão da Justiça.
Presente na sessão, o pai de Tainah, o jornalista Marcelo Rocha, falou sobre a ansiedade da família diante do julgamento. Para ele, o momento representa a esperança de que os responsáveis pela morte da filha sejam responsabilizados.
“São quatro anos esperando. A família está com uma expectativa muito grande, muita ansiedade e muita espera”, afirmou.
Marcelo também criticou versões apresentadas pelas acusadas durante a fase de instrução do processo. Segundo ele, uma das hipóteses levantadas teria relacionado a morte de Tainah a problemas de saúde.
O jornalista lembrou que a perícia apontou que a filha sofreu 13 perfurações provocadas por golpes de faca.
Apesar da expectativa por uma condenação, Marcelo ressaltou que nenhuma decisão judicial será capaz de reparar a perda da filha.
“Mesmo elas sendo condenadas, isso não vai trazer a Tainah para a gente. Não vai trazer minha filha, a neta, a sobrinha, a irmã. Mas pelo menos vamos ter a certeza da Justiça”, declarou.
Ao falar sobre Tainah, o pai destacou a trajetória e os sonhos da jovem.
“Tainah era uma jovem de 27 anos, uma menina que fez Direito, foi para Curitiba, queria morar lá e terminou o curso. Gostava de música, cantava. Foi uma perda muito grande”, contou.

Relembre o caso
Segundo o processo, na noite de 15 de maio de 2022, Tainah foi até a casa de Fernanda Maria Lobão Ayres, no bairro Mocambinho, na Zona Norte de Teresina. Fernanda havia sido namorada da vítima e, na época, mantinha um relacionamento com Geovana Thais Vieira da Silva.
Ainda conforme os autos, as três consumiram bebida alcoólica e posteriormente se envolveram em uma discussão, que teria evoluído para uma luta corporal.
A acusação sustenta que Fernanda teria sido ferida no braço durante o confronto e que, na sequência, ela e Geovana teriam atacado Tainah com uma faca.
O laudo pericial apontou 13 perfurações no corpo da vítima, atingindo regiões como costas, tórax, coxas, axila e antebraço.
Vizinhos teriam ouvido os gritos e acionado o Samu. Tainah foi socorrida e encaminhada ao Hospital de Urgência de Teresina (HUT), mas não resistiu aos ferimentos e morreu na madrugada de 16 de maio de 2022.
O Ministério Público denunciou as duas acusadas por homicídio qualificado e apontou, entre as circunstâncias do crime, o uso de meio cruel e a ausência de socorro adequado à vítima.
Em novembro de 2024, a Justiça decidiu que Fernanda e Geovana deveriam ser levadas a julgamento pelo Tribunal do Júri. As duas recorreram da decisão, mas os recursos foram rejeitados. Elas receberam o direito de responder ao processo em liberdade.
Agora, cabe aos jurados analisar as provas apresentadas durante o julgamento e decidir pela condenação ou absolvição das acusadas.

