BrasilChinaDESTAQUEEconomiaNotícia

Tarifa de 55% da China reduz exportações de carne brasileira e afeta frigoríficos

Uma medida comercial adotada pela China no início de 2026 passou a impactar o setor de carne bovina brasileiro, provocando férias coletivas, redução no ritmo de produção e preocupação entre frigoríficos e pecuaristas. A política estabelece uma sobretaxa de 55% sobre as importações que excederem a cota anual definida para cada país exportador.

A decisão foi anunciada pelo governo chinês em dezembro de 2025 e entrou em vigor em 1º de janeiro deste ano. O objetivo é proteger os produtores locais diante do aumento das importações de carne bovina.

Pelas regras estabelecidas, o Brasil pode exportar até 1,106 milhão de toneladas de carne bovina para a China pagando apenas a tarifa regular de 12%. Acima desse limite, incide uma sobretaxa de 55%, elevando a tributação total para 67%, percentual considerado inviável pelo setor para manter a competitividade dos embarques.

O problema é que a cota ficou abaixo do volume que o Brasil já exportava ao mercado chinês. Em 2025, o país embarcou cerca de 1,68 milhão de toneladas de carne bovina para a China, volume aproximadamente 35% superior ao teto estabelecido para 2026.

Levantamentos do setor indicam que a cota anual deve ser totalmente utilizada ainda em agosto. Com isso, os embarques que ultrapassarem o limite passarão a enfrentar a tributação adicional, reduzindo a competitividade da carne brasileira no principal mercado comprador do produto.

Como consequência, frigoríficos em estados com forte dependência das exportações para a China já anunciaram férias coletivas, diminuição dos turnos de abate e ajustes na produção. Parte da carne que deixará de ser exportada deverá ser direcionada ao mercado interno, aumentando a oferta doméstica e pressionando os preços pagos aos pecuaristas.

O cenário também é agravado pelas dificuldades de redirecionar esse volume para outros mercados internacionais, que possuem limitações de demanda, exigências sanitárias e preços diferentes dos praticados pela China.

Diante da situação, o governo brasileiro iniciou negociações com autoridades chinesas para ampliar a cota de exportação a partir de 2027. Enquanto não houver um acordo, o setor continuará sujeito ao limite estabelecido pela política comercial chinesa.

A medida chama atenção por seu impacto econômico sobre a cadeia da carne bovina brasileira, embora tenha recebido menos repercussão pública do que outras disputas comerciais internacionais envolvendo tarifas de importação.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *