DESTAQUEInvestigaçãoNotíciaPolíciaRecentes

Pai é preso após usar ChatGPT para relatar plano de matar filho de 8 anos e evitar pagamento de pensão

As conversas mantidas entre um agricultor de 36 anos, preso em São Gabriel da Palha, no Noroeste do Espírito Santo, revelaram que ele utilizava o ChatGPT para registrar pensamentos e pesquisas relacionadas ao plano de matar o próprio filho, de 8 anos, com o objetivo de evitar o pagamento de pensão alimentícia à ex-companheira. Trechos dos diálogos foram obtidos pelo portal G1 Espírito Santo.

Em uma das conversas, o suspeito, cuja identidade não foi divulgada, afirmou que chegou a tentar contratar um pistoleiro por R$ 50 mil para assassinar a criança. Segundo ele, o homem teria desistido do serviço ao descobrir que a vítima seria um menino de apenas 8 anos.

As investigações apontam ainda que o agricultor realizou diversas pesquisas sobre substâncias tóxicas, formas de envenenamento, ataques contra policiais e atentados em locais públicos. Em uma das mensagens, escreveu: “Essa semana pensei em pegar a arma e matar uns dois policiais perto do batalhão”. Em outro trecho, afirmou: “Queria saber de onde vem essa vontade de matar as pessoas. Eu gosto de ver outra pessoa sofrer”.

De acordo com a Polícia Civil, o crime estaria planejado para ocorrer no dia 20 de junho, mas o suspeito foi preso preventivamente um dia antes. A ação ocorreu após um alerta emitido pela OpenAI ao FBI, que encaminhou as informações ao Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça. O órgão brasileiro repassou os dados à Polícia Civil do Espírito Santo, que identificou o investigado, confirmou que ele tinha um filho e solicitou à Justiça os mandados de busca, apreensão e prisão.

Apesar de admitir que realizou as pesquisas e escreveu as mensagens, o agricultor negou durante o interrogatório que pretendesse matar o filho.

Em entrevista ao Bom Dia ES, da TV Globo, o delegado Breno Andrade, titular da Delegacia de Crimes Cibernéticos, afirmou que a investigação teve acesso à íntegra das conversas e destacou a gravidade do caso. Segundo ele, esta é a primeira ocorrência no Espírito Santo iniciada a partir de uma comunicação feita por uma plataforma de inteligência artificial às autoridades e apenas o terceiro registro desse tipo no Brasil.

O delegado afirmou que as evidências técnicas serão fundamentais para a conclusão do inquérito. Conforme explicou, a perícia realizada no telefone celular poderá confirmar a intenção criminosa e indicar outros delitos, como tentativa de homicídio, ameaça, incitação ao crime e apologia ao crime.

As investigações continuam e a Polícia Civil aguarda a conclusão dos exames periciais para definir todas as responsabilidades atribuídas ao suspeito.

Fonte: G1 Espírito Santo e TV Globo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *