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Lula afirma que nunca foi de esquerda durante conversa na cúpula do G7

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (17) que “nunca foi esquerdista” durante uma conversa informal na cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França. O diálogo, gravado pela agência Associated Press, ocorreu com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz.

No trecho divulgado, Lula afirmou que “o mundo não é de esquerda” e defendeu que o cenário internacional segue um “caminho do meio”. Ao ouvir de Georgieva que havia expectativa de um governo mais à esquerda quando assumiu a Presidência, em 2003, o petista respondeu que essa percepção nunca correspondeu à realidade. Ele relembrou sua trajetória no movimento sindical e disse que, nos anos 1980, chegou a ser chamado de anticomunista após recusar um convite para visitar a antiga União Soviética.

Durante a programação oficial do G7, Lula participou de um almoço de trabalho voltado aos temas de inteligência artificial e proteção de crianças e adolescentes na internet. Em seu discurso, defendeu a regulamentação das plataformas digitais, cobrou maior responsabilidade das empresas de tecnologia e alertou para crimes como discurso de ódio, exploração infantil, manipulação de imagens e violência contra mulheres.

O presidente também destacou iniciativas brasileiras na área digital, como o Estatuto Digital para Crianças e Adolescentes e o sistema de pagamentos Pix, que classificou como um importante instrumento de inclusão financeira e modernização dos serviços. Lula ainda defendeu a criação de uma governança internacional, sob coordenação da Organização das Nações Unidas (ONU), para garantir que o desenvolvimento da inteligência artificial fortaleça a democracia e respeite a soberania dos países.

À margem do encontro, o presidente brasileiro teve reuniões bilaterais com o presidente do Egito, Abdul Fatah Khalil Al-Sisi, e com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Após o encontro, Zelensky afirmou nas redes sociais que a conversa foi produtiva e tratou de possíveis caminhos para o fim da guerra provocada pela invasão russa, além da manutenção do diálogo entre os dois governos.

Em publicação nas redes sociais, Lula também destacou sua participação em debates sobre crescimento econômico e redução das desigualdades globais. Segundo ele, o desenvolvimento sustentável depende da inclusão de bilhões de pessoas no mercado consumidor, com investimentos em infraestrutura, geração de empregos e políticas de inclusão social.

Ainda durante a cúpula, Lula voltou a se encontrar rapidamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os dois trocaram cumprimentos em dois momentos distintos do evento, mas, de acordo com integrantes da comitiva brasileira, as conversas foram breves e não abordaram questões políticas nem temas sensíveis da relação bilateral.

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