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Documentos citados em investigação expõem pagamentos milionários ligados ao Banco Master

Informações reunidas em documentos públicos, relatórios da Receita Federal e investigações conduzidas pela Polícia Federal e pela CPI do Crime Organizado apontam uma série de pagamentos milionários realizados pelo Banco Master a figuras de destaque da política e do meio jurídico brasileiro. Os dados, que integram registros oficiais, vêm gerando repercussão e levantando questionamentos sobre a natureza das relações institucionais mantidas pela instituição financeira.

Entre os nomes citados está o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que teria recebido R$ 14 milhões. Segundo os registros, ele teria atuado na articulação de uma reunião entre Daniel Vorcaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizada no Palácio do Planalto em 4 de dezembro de 2024, sem constar na agenda oficial.

Também aparecem nos documentos pagamentos de R$ 6,5 milhões ao escritório ligado à família do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. Desse total, R$ 5,25 milhões teriam sido repassados após sua nomeação para o comando da pasta.

Outro caso apontado envolve Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Os registros indicam um contrato de R$ 129 milhões, dos quais mais de R$ 80 milhões já teriam sido quitados. Segundo relatos incluídos na documentação, a ordem interna no banco era de que os repasses não fossem interrompidos “em hipótese alguma”.

No Senado, o líder do PT, Jacques Wagner, aparece vinculado a pagamentos que somam R$ 11 milhões destinados a uma empresa ligada à família. Já o senador Ciro Nogueira é citado como beneficiário de repasses mensais que poderiam chegar a R$ 500 mil, além de menções a um projeto de lei elaborado por assessores do próprio Banco Master.

Outras figuras políticas também aparecem na documentação, como o ex-presidente Michel Temer, associado a R$ 10 milhões, o ex-ministro Henrique Meirelles, com R$ 8 milhões, e ACM Neto, com R$ 5,4 milhões.

Em contraste, os registros citados não apontam contratos, repasses ou vínculos financeiros envolvendo o senador Flávio Bolsonaro. O único episódio mencionado refere-se a uma cobrança relacionada a uma parcela atrasada de investimento prometido para um projeto audiovisual privado.

A produtora GoUp Entertainment confirmou, por meio de nota pública, que não recebeu qualquer valor referente ao compromisso firmado com Daniel Vorcaro.

As revelações ampliam o debate sobre a relação entre o setor financeiro, agentes públicos e eventuais influências institucionais. Até o momento, os citados não haviam se manifestado oficialmente sobre os apontamentos.

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