Estudo aponta que consumo de ultraprocessados pode aumentar risco de demência
Um novo estudo científico acendeu alerta sobre os impactos dos alimentos ultraprocessados na saúde do cérebro. De acordo com a pesquisa, aumentar em apenas 10% o consumo diário desse tipo de alimento — o equivalente, por exemplo, a um pequeno pacote de batatas fritas — pode elevar o risco de demência, mesmo entre pessoas que mantêm uma alimentação considerada saudável.
Os chamados alimentos ultraprocessados já representam uma parcela significativa da dieta, especialmente em países como os Estados Unidos, onde correspondem a mais da metade das calorias consumidas por adultos. Entre crianças, esse índice é ainda maior. A pesquisa foi conduzida por Barbara Cardoso, da Universidade Monash, e identificou uma associação entre o consumo desses produtos e pior desempenho cognitivo, incluindo redução da atenção e aumento do risco de demência em adultos de meia-idade e idosos.
Os autores destacam que o estudo aponta uma associação, não uma relação direta de causa e efeito. Ainda assim, os resultados chamam atenção por mostrarem que o impacto negativo dos ultraprocessados não é compensado nem mesmo por dietas consideradas saudáveis, como a dieta mediterrânea.
A relevância do estudo foi reforçada por W. Taylor Kimberly, da Harvard Medical School, que não participou da pesquisa, mas já conduziu trabalhos semelhantes. Em um estudo anterior, ele identificou que o aumento de 10% no consumo de ultraprocessados estava associado a um crescimento de 16% no risco de comprometimento cognitivo.
Os ultraprocessados se diferenciam por conter poucos ou nenhum ingrediente natural, sendo compostos por substâncias industriais, como corantes, aromatizantes e emulsificantes. Esses produtos costumam ter altos níveis de açúcar, sal e gordura, além de baixa densidade nutricional, o que pode prejudicar funções importantes do organismo, incluindo o cérebro.
Publicado na revista Alzheimer’s & Dementia, o estudo analisou mais de 2.100 pessoas entre 40 e 70 anos. Os resultados indicaram que, a cada aumento de 10% no consumo de ultraprocessados, houve queda perceptível na capacidade de concentração e aumento gradual no risco estimado de demência ao longo de 20 anos.
Os pesquisadores destacam que reduzir a ingestão desses alimentos pode ser uma medida importante de prevenção, especialmente durante a meia-idade, fase considerada estratégica para controlar fatores de risco modificáveis ligados à saúde cognitiva.

