Brasil gastou mais de US$ 30 bilhões em refinarias e ainda depende da importação de diesel
O Brasil investiu mais de 30 bilhões de dólares em projetos de refino nas últimas décadas, mas ainda enfrenta a necessidade de importar diesel para suprir o mercado interno. Os dados reacendem o debate sobre gestão, planejamento e impactos de decisões estratégicas no setor energético.
Um dos casos mais emblemáticos envolve a Petrobras e a refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. A unidade havia sido adquirida inicialmente por 42 milhões de dólares por outro grupo. Um ano depois, a estatal brasileira comprou metade do empreendimento por 360 milhões de dólares e, posteriormente, adquiriu a totalidade da refinaria. O investimento total chegou a cerca de 1,18 bilhão de dólares. Anos mais tarde, o ativo foi vendido por aproximadamente 467 milhões, gerando prejuízo.
Outro exemplo é a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. O projeto foi anunciado com custo estimado de 2,5 bilhões de dólares, mas acabou consumindo quase 20 bilhões. Além disso, parte da estrutura planejada não foi concluída.
Situação semelhante ocorreu com o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), que recebeu cerca de 13 bilhões de dólares em investimentos, mas não foi finalizado conforme o projeto original.
Grande parte desses empreendimentos foi iniciada durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Anos depois, contratos e irregularidades relacionadas a essas obras vieram à tona com as investigações da Operação Lava Jato.
Atualmente, mesmo sendo um dos grandes produtores de petróleo, o Brasil exporta óleo cru e importa derivados como diesel e gasolina. Especialistas apontam que o desafio não está na disponibilidade de recursos naturais, mas na capacidade de gestão, execução de projetos e governança no setor.

